Covid-19

Farmácias recusam ser "bode expiatório" na vacinação da gripe

Farmácias recusam ser "bode expiatório" na vacinação da gripe

A Associação Nacional das Farmácias enviou uma carta ao Parlamento na qual diz que não aceita "ser o bode expiatório de outras responsabilidades" no processo de vacinação contra a gripe. A reação surge um dia depois de Francisco Ramos, coordenador da task-force para a vacinação contra a covid-19, ter dito na comissão de Saúde que não conta com as farmácias por estas terem sido um "obstáculo" na distribuição das vacinas da gripe.

No documento, endereçado à presidente da Comissão Parlamentar da Saúde, Maria Antónia Almeida Santos, enviada esta quinta-feira, a direção da Associação Nacional de Farmácias (ANF) frisa ter sido transparente e disponível com o Ministério da Saúde. Rejeitando "ser o bode expiatório de outras responsabilidades", sem se referir diretamente às declarações de Francisco Ramos, quarta-feira no Parlamento.

O coordenador da task-force para o processo de vacinação contra a covid-19, disse que a forma como o processo de vacinação da gripe "não correu bem" e que "as farmácias foram vítimas de uma deficiente organização".

PUB

"A minha avaliação é que a responsabilidade desse insucesso é da maior associação representativa das farmácias [ANF]. A sua participação no processo foi mais um obstáculo ao sucesso do que uma ajuda, ajudando a criar falsas expectativas à população", acusou.

As farmácias adiantam, por seu lado, que já distribuíram de forma gratuita as 200 mil vacinas aos utentes com mais de 65 anos, ao abrigo do acordo que fez com o ministério.

"Era a forma de assegurar, sem custos para o utente, mais celeridade e eficácia ao processo de vacinação contra a gripe, num ano particularmente difícil para o Serviço Nacional de Saúde (SNS)", sublinham.

No entanto, garantem que há centros de saúde que ainda estão a agendar vacinação para o mês de janeiro, quando estará já a decorrer a vacinação contra a covid-19.

E frisam que as farmácias terem solicitado à tutela mais vacinas para administrar no âmbito deste protocolo, sem que daí resultasse quaisquer encargos para o SNS. Mas a resposta foi negativa.

Autarquias financiaram

Recorde-se que o serviço prestado aos utentes abrangidos pela vacinação gratuita pelas farmácias acabou por ser financiado ou comparticipado pelas autarquias.

A carta para os deputados lembra que no processo de aquisição de vacinas, a tutela adquiriu dois milhões de doses, mais 500 mil do que nos anos anteriores. Já as farmácias, por seu lado, viram a sua quantidade habitual ser reduzida de 650 mil para 440 mil vacinas.

As farmácias dizem ainda que o seu stock para os utentes que não integram grupos de risco mas que pretendiam receber a vacina, pagando-a, está esgotado. A procura pelas vacinas nas farmácias foi cinco vezes superior à dos anos anteriores, dizem.

"No que às farmácias diz respeito, para além da insuficiência de vacinas disponíveis, o processo de vacinação correu bem, com grande adesão dos utentes e com grande rapidez", rematam.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG