O Jogo ao Vivo

Covid-19

Farmácias sem mãos a medir para tanta procura de testes

Farmácias sem mãos a medir para tanta procura de testes

Após as medidas decretadas pelo Governo que fazem depender de teste negativo o acesso aos hotéis, eventos e restaurantes (neste caso nos jantares de fim de semana e nos concelhos em risco elevado e muito elevado), a procura por testes covid-19 nas farmácias tem aumentado.

Na Farmácia Alves, no Porto, e na Farmácia Chão Verde, em Rio Tinto, já não existem vagas esta sexta-feira. Joana Santos, diretora técnica, da Farmácia Chão Verde, diz que só tem vaga para segunda-feira. "Estamos a fazer testes de 10 em 10 minutos, o dia está completamente cheio", revelou.

Joana Santos explica que só funcionam por marcação. "É necessário organizar toda uma logística e ter um só colaborador para o serviço, para a realização do teste e comunicação do resultado. E ainda a desinfeção equipamentos", comenta ao JN.

Maria Teresa Almeida, diretora técnica e proprietária da Farmácia Alves, no Porto, refere que o processo é moroso. "Neste momento, a farmácia tem de fazer perguntas de rastreio, da situação epidemiológica do utente. Em relação aos voos, tem de garantir a validade do teste para as escalas. E nos casos em que estão a fazê-los para casamentos, ver para que concelhos as pessoas vão. A população em geral não tem conhecimento das regras, por isso é nossa obrigação explicar-lhes, o que demora um bocadinho a agilizar. Não podemos ter aqui as pessoas aos magotes".

As duas farmácias notam um aumento significativo de procura por testes rápidos para a covid-19 devido às restrições impostas.

"Não fazemos distinção de testes comparticipados ou não, temos é uma limitação do espaço físico e capacidades humanas. À medida que mais farmácias e laboratórios forem aderindo, penso que vai-se tornar um bocadinho mais fácil o agendamento. Também à medida que a população for sendo vacinada, acho que no fim deste mês, a necessidade de testagem vai ser menor".

PUB

146 farmácias aderentes

Há atualmente 146 farmácias que aderiram ao programa de comparticipação de testes de antigénio pagos pelo Estado. É direcionado para maiores de 12 anos, sem certificado de vacinação ou de recuperação, com o limite de quatro testes por mês. Os supermercados aguardam as regras para poder vender autotestes.

Maria Teresa Almeida admitiu ao JN que "a comparticipação do Estado foi uma ajuda". "Como a economia abriu um bocadinho, há toda uma agenda social que não existia: casamentos, batizados, reuniões familiares, emigrantes que vão regressar. Por isso, há uma maior consciência de que os testes já podem ser feitos. É obvio que o facto de ser comparticipado ajudou muito, mas nós já tínhamos marcações antes. Eu não consigo fazer mais do que fazia. Temos que gerir as prioridades e ver os casos mais e menos urgentes para se ir agendando".

Joana Santos, de Rio Tinto, aponta contudo um problema. "Nós ainda não temos um sistema de faturação para estes testes. Ou seja, estamos a realizar os testes, mas não tenho como os faturar no sistema. Não estando contabilizados os testes, temos apenas o documento da declaração de honra que é assinada pelo utente".

A farmacêutica diz que ainda aguardam respostas por parte do Ministério da Saúde. "Aquilo que nos dizem é que podemos efetivamente fazer os testes e que depois, possivelmente no final do mês ou em agosto, iremos ter de enviar esta declaração de honra para o SNS fazer o pagamento à farmácia. Neste momento as farmácias estão a assumir este risco", disse.

Maria Teresa Almeida, farmacêutica do Porto, compreende que "a aplicação não possa ser feita de um dia para o outro" e acredita que para a semana o processo estará mais oleado.

Sistema informático não funciona

Em Santo Tirso, a Farmácia Popular pertence ao grupo de 14 farmácias do distrito do Porto que aderiram ao programa de testes comparticipados, mas ainda não os está a fazer. "Não estou a fazer porque o sistema informático ainda não permite e eu gosto de ter uma farmácia organizada. Quero fazer isso quando o sistema informático o permitir. Sei que o Governo diz que podemos fazer com uma declaração de honra da parte do paciente e que depois nos faz o reembolso", diz Jorge Lima, gestor da farmácia.

Com várias chamadas diárias, a Farmácia de Santo Tirso apenas está a fazer testes covid-19 pagos pelo utente, ao preço de 15 euros. "Não sei quando é que o Governo vai pagar. E não é só isso... é um caos fisicamente pois não tenho condições para o fazer. Com o sistema informático será mais fácil porque automatiza o procedimento". Jorge Lima revelou que esta sexta-feira o sistema para emitir a declaração de teste negativo "esteve toda a manhã em baixo". Jorge Lima referiu ainda que há uma falta de autotestes no mercado e que costumam ser mais requisitados por espaços que realizam eventos.

Maria Teresa Almeida explicou que o preço dos autotestes pode variar dependendo da marca, do fornecedor e das quantidades. "As pessoas compram este tipo de testes para os ter em casa, em caso de necessidade de despiste", diz.

Na farmácia de Rio Tinto, Joana Santos revelou que de ontem para hoje notaram uma grande diferença "Então hoje de manhã foi a loucura de procura destes autotestes", disse.

A Farmácia Azevedos, na freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, está a realizar um pouco mais de uma centena de testes à covid-19 diariamente, mas Ricardo Januário, diretor da farmácia, ainda não sentiu um aumento da procura relacionado com as restrições impostas pelo Governo nos últimos dias. "Continuamos cheios, mas não houve mais marcações nos últimos dias. Os pedidos estão mais relacionados com saídas para fora, é o principal motivo", explicou ao JN.

Testar para estar com amigos

Em Lisboa, um dos pontos móveis de testagem gratuita da Câmara de Lisboa, no Martim Moniz, recebe dezenas de pessoas durante o dia. Carlota Caldeira, 18 anos, estudante universitária, decidiu fazer o teste antes de estar com um grupo de amigos. "Vamos todos fazer para estarmos mais seguros. Facilita imenso ser gratuito", elogiou. Miguel Ribeiro, 24 anos, decidiu testar porque esteve, esta semana, com um amigo que veio de França.

"Estivemos num hostel com mais pessoas e tenho mais receio. Testando também me sinto mais à vontade com os colegas de casa", disse o estudante universitário de medicina que deixou de ter acesso a testes gratuitos assim que terminou o estágio, há poucas semanas.

Outras pessoas que o JN encontrou na fila do posto móvel do Martim Moniz decidiram realizar teste porque tiveram contactos com pessoas com covid-19, recentemente, ou porque têm eventos, como casamentos. Vários criticaram o preço dos testes PCR e elogiaram a gratuitidade dos testes.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG