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Fartos da falta de diálogo, médicos ameaçam com greve

Fartos da falta de diálogo, médicos ameaçam com greve

O presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), Noel Carrilho fez uma "última chamada de atenção ao Governo" face ao que considera uma desconsideração da ministra da Saúde que, até à data, não demonstrou qualquer iniciativa de se reunir com os sindicatos.

Até ao momento, os sindicatos dizem que optaram por evitar medidas reivindicativas "mais duras" para não prejudicar a assistência médica no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Mas com a entrada no período pós-pandemico, a possibilidade de greve dos médicos volta a estar em cima da mesa, disse Noel Carrilho, esta quarta-feira, durante uma concentração em frente ao Hospital de São José, em Lisboa.

No dia em que o SNS celebra 42 anos, a FNAM promoveu várias "Flash Manif", uma manifestação "simbólica, instantânea, rápida e digital" que se prolongou ao longo do dia pelo país em frente às instituições de saúde, dada a impossibilidade de sincronização absoluta dos profissionais de saúde em serviço.

Os médicos queixam-se que a pandemia veio agravar a situação do SNS, que se vem deteriorando ao longo dos anos, evidenciando a falta de condições de trabalho dos médicos e a falta de investimento em recursos humanos e técnicos. Os profissionais de saúde queixam-se da falta de cumprimento do regime de dedicação exclusiva, "exigência antiga enquadrada na lei de bases da saúde e o Orçamento de Estado" e exigem a renegociação do acordo coletivo de trabalho dos médicos de 2012 que está "ultrapassado e estagnado", apontando várias outras exigências: a valorização remuneratória transversal da carreira médica, uma reformulação do sistema de avaliação para médicos que permita a evolução de carreira, a consideração da profissão como de desgaste rápido, a consideração do nível de responsabilidade, horas extraordinárias e horários noturnos.

Assim como dizem ser urgente solucionar o grande número de vagas não preenchidas em zonas mais frágeis do país, como é o caso da cidade de Lisboa e as longas listas de utentes por médico de família.

"Êxodo de médicos"

Noel Carrilho diz que se assiste "um êxodo de médicos do SNS sem nada se fazer para o travar" face à "falta de condições para o desenvolvimento da carreira em exclusividade no SNS", apesar da "vontade e de voluntários médicos não faltarem".

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João Proença, neurologista e ex-presidente da FNAM, denuncia a não atribuição do subsidio do trabalho Covid, afirmando que é necessário distinguir "a propaganda do governo que não recebe nem negoceia e o que se passa na realidade" que desmotiva os médicos e os leva a partir para o estrangeiro ou a trabalhar em regime privado.

O descrédito pela atividade médica levou-o a deixar há 5 anos o SNS, após 48 anos de serviço.

Embora a FNAM admita que "a importância do SNS é reconhecida por todos principalmente no período em que vivemos", os profissionais de saúde alertam para a urgência na resolução dos problemas apontados, tendo em vista a continuidade do "garante da democraticidade na saúde", como afirmou o presidente Noel Carrilho.

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