Inquietação

Feirantes desesperam por regressar ao trabalho

Feirantes desesperam por regressar ao trabalho

A indefinição de datas e normas para a reabertura das feiras e mercados está a desesperar os vendedores. Desde março que estão sem trabalhar porque a maioria dos municípios decidiu encerrar aqueles espaços. Agora que o comércio reabriu portas, também querem voltar.

"Os feirantes só pedem para trabalhar. Querem trabalhar em segurança porque precisam de começar a ter sustento", diz Joaquim Santos, presidente da Federação Nacional das Associações de Feirantes. O responsável estima que existam 25 mil feirantes. "Como é normalmente um negócio de família, envolve pelo menos cerca de 50 mil pessoas", observa.

A Federação já pediu ao Governo que "clarifique" as normas de funcionamento para que "não existam dúvidas e os municípios não tenham receio de reabrir" feiras e mercados. Até porque, diz o responsável, há condições para que os espaços reabram seguindo as regras da Direção Geral de Saúde, com controlo de entradas e fiscalização.

"Os feirantes não podem ser discriminados face às outras superfícies comerciais que já estão abertas", afirma. Uma "discriminação" para a qual já chamaram a atenção do Governo. O JN tentou ouvir a tutela, sem êxito. Joaquim Santos diz que alguns municípios já estarão a preparar a reabertura mas não existe ainda informação exata.

contas acumulam-se

Parados há cerca de dois meses, os feirantes veem as contas a acumular-se. Joaquim Santos fala em milhares de euros de prejuízo.

"Tudo isto foi rápido, e percebo que no início fechassem, mas agora, quando já há comércio aberto, também queremos começar a trabalhar", nota Rui Almeida, feirante há 27 anos. Ele e a mulher faziam quatro feiras por semana. Agora estão todas fechadas. O casal vive das poupanças.

"Mas as contas não param, vão acumulando", acrescenta Carlos Soares, vendedor de têxteis lar. "É a casa e tudo o resto. Um mês, dois, ainda aguentamos, mas três começa a ser insuportável". Além dos prejuízos, o vendedor ambulante queixa-se da "indefinição".

"Já devia haver estimativas de quando vão abrir as feiras e em que condições para sabermos com o que podemos contar e como temos de fazer", queixa-se.

Entretanto, a recém-criada Associação dos Profissionais Itinerantes Certificados protestou ontem, junto ao Ministério da Economia, em Lisboa, por apoios para a sustentabilidade dos negócios em eventos culturais, feiras, festas, romarias e circos, cuja maioria foi cancelada. Querem que sejam criados "protocolos sanitários" para trabalhar e que lhes sejam pagas "despesas como imposto único de circulação e seguros dos camiões e do material".

Barcelos reabre

A feira semanal de Barcelos reabre hoje, das 6 às 19 horas, só com produtos alimentares. O espaço será delimitado, com duas entradas e duas saídas controladas por funcionários municipais e pela PSP.

Joane na calha

A Associação de Feirantes do Distrito do Porto, Douro e Minho está a trabalhar com a Junta de Joane, em Famalicão, no planeamento da reabertura da feira, o que poderá acontecer ainda durante este mês

Problemas em Chaves

Uma "grande aglomeração de pessoas" antes da abertura do Mercado de Chaves obrigou à intervenção da PSP. A Câmara Municipal já está a tomar medidas para que a situação não se repita.

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