Educação

Fenprof estima que entre 80 mil a 100 mil alunos não tenham todas as aulas

Fenprof estima que entre 80 mil a 100 mil alunos não tenham todas as aulas

O líder da Fenprof acredita que faltam professores a mais de 100 mil alunos mas faz as estimativas por baixo para garantir que, "de certeza, são pelo menos, 80 mil, sem todas as aulas". A Federação fez um levantamento e apurou que no arranque do ano letivo faltavam docentes em 73,5% dos agrupamentos.

De acordo com o levantamento a que 227 agrupamentos (cerca de 28% da rede) responderam, quando as aulas começaram havia escolas a quem faltava um professor, em outras mais de 30. Sendo que as faltas, garante Mário Nogueira, já estão a ser colmatadas com licenciados sem profissionalização (mestrado em ensino), em cerca de 2,7% dos horários em oferta de escola no Norte do país e 20% na região Centro.

Tendo em conta o número de horários em contratação de escola por preencher, a Federação Nacional de Professores (Fenprof) estima que esta terça-feira entre 80 a 100 mil alunos não tenham todas as aulas. Há cerca de um ano, recorda, Mário Nogueira, eram entre 100 a 110 mil.

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A pressão pode ainda aumentar, alerta Nogueira,, já que 3000 professores a quem foi reconhecido direito à mobilidade por terem doenças incapacitantes não foram colocados e os que se vão aposentar até 31 de dezembro - 280 em outubro e mais cerca de 400 em novembro e dezembro, estima o líder da Fenprof - têm, neste momento turmas atribuídas e terão de ser substituídos depois.

"O ministro tem insistido no problema das baixas, mil por semana. Não sei o que o surpreende se 20% dos docentes são sexagenários. Até devem ter excelente saúde, ou a percentagem até podia ser mais elevada", ironiza Mário Nogueira.

As medidas aplicadas este ano letivo para mitigar a falta de professores, como a renovação de horários incompletos ou a possibilidade de se completar horários em zonas com mais falta de docentes até tiveram algum resultado, admite. "Caso contrário seria o caos". No entanto, alerta, "os remendos" não resolvem o problema. o Líder da Fenprof reivindica melhores condições de trabalho, o fim das vagas para progressão ao 5.º e 7.º escalões de carreira, o fim das quotas na avaliação docente e a recuperação do tempo de serviço congelado. "Basta que cumpram a carreira que está na lei", insistiu, referindo que há milhares de professores com 20 ou 30 anos de serviço que deviam estar no 6.º ou 9.º escalões e que estão bloqueados no 3.º ou 4.º.

Abaixo-assinado contra contratação por escolas

A Federação vai lançar um abaixo-assinado contra o reforço do recrutamento pelas escolas e a possibilidade de os diretores escolherem uma percentagem dos docentes que entrem nos seus quadros.

A revisão do regime de concursos está em negociação. Sindicatos e ministério voltam a reunir-se em outubro. A Fenprof rejeita o reforço do recrutamento pelas escolas proposto pelo Governo e defende que as colocações devem manter-se centralmente, pela lista nacional graduada (que ordena os docentes pelo tempo de serviço e média de curso). Hoje, na conferência de Imprensa, Mário Nogueira recordou que o ministro da Educação, João Costa, acabou com a Bolsa de Contratação de Escolas (BCE), criada pelo ex-ministro Nuno Crato, precisamente, por não ser mais rápida. A Federação promete levar o resultado do abaixo-assinado no próximo encontro com João Costa.

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