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Ferro Rodrigues diz que responsabilidade de todos "é acrescida"

Ferro Rodrigues diz que responsabilidade de todos "é acrescida"

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, defendeu que a "história de compromissos e convergências" tem "forçosamente de se repetir" no tempo atual em que "nenhuma força teve maioria absoluta" e a responsabilidade de todos "é acrescida".

"A nossa história de compromissos e convergências tem forçosamente de se repetir neste tempo novo em que nenhuma força teve maioria absoluta. Neste contexto, a responsabilidade de todos os grupos parlamentares é acrescida", afirmou Eduardo Ferro Rodrigues no discurso que proferiu após ser eleito presidente do parlamento.

O socialista que ocupa agora o segundo lugar na hierarquia do Estado argumentou que "assim como não há deputados de primeira e segunda, também não há grupos parlamentares de primeira e de segunda, coligações aceitáveis e outras banidas" e exigiu respeito pela "soberania da Assembleia da República".

"Respeitamos a soberania e autonomia dos tribunais, do governo e do Presidente da República. Temos o direito e o dever de exigir respeito pela soberania da Assembleia da República", afirmou.

Logo na abertura da sua intervenção Ferro Rodrigues enunciou: "Serei o presidente de todas as senhoras e de todos os senhores deputados".

Num discurso em que citou o escritor comunista Mário de Carvalho e o poeta Fernando Pessoa, Ferro falou muito da necessidade de convergências e lembrou a aprovação da Constituição em 1976 como um momento fundador desses compromissos democráticos.

"A integração europeia de Portugal está certamente na base de muitos dos sucessos de 40 anos de democracia, mas foi o espírito constitucional inicial, marcado pelo compromisso e convergência que deu depois condições políticas a que os avanços da democracia se concretizassem", argumentou.

O recém-eleito presidente defendeu que "o conflito é próprio da política democrática mas nenhuma democracia sobrevive sem uma cultura de lealdade institucional e de diálogo estratégico entre os partidos representados na Assembleia da República".

"Nenhuma democracia sobrevive sem compromisso. A verdade é que a história dos sucessos destes 40 anos de democracia é a história de muitos compromissos políticos e de muitos avanços civilizacionais que só foram possíveis porque houve quem se sentasse à mesa para se pôr de acordo sobre questões fundamentais", declarou.

Neste passo do discurso, citou Mário de Carvalho, autor de "Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto": "Adaptando Mário de Carvalho, diria que as senhoras e os senhores deputados vão ter de trocar muitas ideias sobre muitos assuntos. Ou citando Pessoa no 'Livro do Desassossego': "Vivemos todos neste mundo a bordo de um navio saído de um porto que desconhecemos para um porto que ignoramos, devemos ter uns para os outros, uma amabilidade de viagem".

Ferro Rodrigues afirmou que "os portugueses estão de olhos postos na Assembleia da República".

"Todos estão convocados, todos, porque num parlamento democrático nenhum - sublinho, nenhum - representante do povo está à partida impedido de contribuir para o futuro do seu país", declarou, sendo aplaudido por toda esquerda parlamentar.

Depois de ser anunciado o resultado da votação secreta dos deputados que elegeu Ferro Rodrigues contra Fernando Negrão o novo presidente da Assembleia cumprimentou o seu adversário nesta eleição e, à passagem pelas bancadas do PEV, PCP e BE disse "Obrigado".

Na sua intervenção, Ferro Rodrigues referiu-se ao afastamento dos cidadãos das instituições democráticas e afirmou "muitos destes sinais de insatisfação com as instituições democráticas dizem respeito, em primeiro lugar, à insatisfação com a própria situação económica e social do país", defendendo que o "processo ajustamento deixou feridas sociais que importa sarar com urgência", como a pobreza, o desemprego, as desigualdades e a emigração indesejada.

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