Parlamento

Voto de pesar pela morte de Jorge Sampaio aprovado por unanimidade

Voto de pesar pela morte de Jorge Sampaio aprovado por unanimidade

O Parlamento aprovou esta quarta-feira, por unanimidade, o voto de pesar pela morte do antigo presidente Jorge Sampaio. O texto manifesta "profundo pesar" pelo desaparecimento de "um dos melhores servidores da causa pública da sua geração", que ensinou ao país que "não há portugueses dispensáveis". No final, todos aplaudiram de pé.

A sessão evocativa contou com a presença da mulher, Maria José Ritta, e de um dos filhos do antigo chefe de Estado. No final, respeitou-se um minuto de silêncio e assistiu-se a um vídeo de homenagem.

Ana Catarina Mendes, líder parlamentar do PS, enalteceu a "inquietude serena" de Sampaio, destacando a sua "indignação perante a injustiça" e a capacidade de "fazer alianças, obter compromissos, construir consensos e lançar pontes".

"A sua vida foi uma militância activa pela liberdade, democracia e direitos humanos", afirmou a deputada. Aludiu a exemplos como o "repúdio firme" manifestado por Sampaio face ao Estado Novo, o seu envolvimento no processo de independência de Timor-Leste, a oposição à guerra do Iraque ou, mais recentemente, o auxílio a refugiados sírios.

Fernando Negrão, do PSD, descreveu Sampaio como um "humanista", que foi "extraordinariamente importante" na construção de uma solução moderada após o 25 de Abril e que "nunca se esqueceu da sua qualidade de cidadão comum".

Embora não mencionando diretamente o episódio de 2004 em que Sampaio dissolveu o Parlamento, levando à saída do primeiro-ministro Santana Lopes, Negrão lembrou as "profundas divergências" que, por vezes, imperaram na relação entre o antigo presidente e o PSD.

"Mas o que fica da relação institucional com o presidente Jorge Sampaio é uma saudável diferença no pensamento e na ação, pautada pelo respeito, pela estima e pela recíproca consideração política", afirmou.

PUB

Esquerda lembra "convergências" em Lisboa

À Esquerda, BE e PCP elogiaram o papel de Sampaio na resistência ao regime do Estado Novo, nomeadamente durante a crise estudantil de 1962 e na defesa de presos políticos em tribunal. Pedro Filipe Soares, líder parlamentar bloquista, agradeceu o "empenho" de alguém que "tomou partido" ainda antes da Revolução.

O papel de Sampaio enquanto autarca de Lisboa também não foi esquecido. Lembrando a coligação local entre PS, CDU e forças que dariam origem ao BE, Pedro Filipe Soares considerou que o antigo chefe de Estado provou ser "possível dialogar à Esquerda, criando pontes, cultivando o respeito e vencendo a desconfiança".

Já João Oliveira, líder da bancada do PCP, descreveu Sampaio como um homem "empenhado no diálogo dos democratas e das forças democráticas, antes e depois do 25 de Abril".

"Consciente aliado dos comunistas" e de outras forças de oposição ainda durante o Estado Novo, enquanto edil lisboeta protagonizaria "convergências" à Esquerda que funcionaram "a bem dos trabalhadores e do povo", frisou.

Elogios apesar das diferenças

Telmo Correia, líder parlamentar do CDS, elogiou a "elevação" de Sampaio, que considerou "a figura mais importante da Esquerda democrática depois de Mário Soares".

No entanto, lembrou que ele sempre foi um "adversário político", alertando que a "suposta unanimidade" em torno do antigo presidente "não é muito rigorosa" nem "faz justiça" a Sampaio e aos partidos que se lhe opuseram.

Bebiana Cunha, do PAN, lembrou as "divergências" do seu partido com Sampaio relativamente às touradas. No entanto, referiu que, em tudo o resto, o antigo presidente "não teve medo de estar do lado certo da História", devido aos "valores humanistas" que perfilhava.

José Luís Ferreira, do PEV, sublinhou o "sentido de justiça" e a "crença na dignidade do ser humano" de um homem que "marcou a História do nosso país". Descrevendo Sampaio como "humanista", "vertical" e "sem vaidades", destacou que, enquanto autarca de Lisboa, "soube entender a importância da convergência necessária" à Esquerda.

Diogo Pacheco de Amorim, deputado temporário do Chega em substituição de André Ventura, afirmou que "a Terceira República perdeu um dos seus esteios". Reconheceu que as ideias de Sampaio estavam "nos antípodas" das do seu partido, mas disse não querer "transformar um adversário num inimigo".

João Cotrim Figueiredo, da IL, lembrou ter discordado "quase sempre" das decisões políticas de Sampaio. No entanto, enalteceu a "dimensão humana" do antigo presidente, bem como o seu papel na "luta pela liberdade" antes do 25 de Abril, a "coragem" e a "visão global" do mundo.

Cristina Rodrigues, deputada não inscrita, descreveu Sampaio como "um homem bom" e "um exemplo de luta e integridade". Joacine Katar Moreira, também não inscrita, destacou a "empatia e compaixão" do antigo chefe de Estado, bem como a sua "abertura a todos e a todas".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG