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#Ficaemcasa: a mensagem na areia numa praia do Algarve

#Ficaemcasa: a mensagem na areia numa praia do Algarve

Vítor Raposo está assustado, "muito mesmo". Nunca pensou que um vírus desconhecido parasse uma aldeia, um país, quanto mais o mundo inteiro. E decidiu fazer um apelo num desenho na areia numa praia do Algarve: #Ficaemcasa.

Aos 56 anos, desempregado, Vítor Raposo, residente no Barreiro, passa temporadas em casa de familiares em Albufeira, a dois minutos a pé da praia Maria Luísa. Como não tem trabalho, está no Algarve desde setembro. "Vou-me mantendo por aqui e agora não quero sair", diz, sem esconder a apreensão e o "muito receio" que a atual situação da pandemia de Covid-19 lhe levanta. "Isto era inimaginável".

Há cerca de quatro anos, descobriu as mariolas, pirâmides feitas com pedras recolhidas na areia das praias. Depois, há cerca de um ano e meio, cruzou-se no Instagram com desenhos feitos na areia em praias de todo o mundo e decidiu experimentar.

"Em ano e meio nunca pensei que tivesse tanta prática. Evoluiu tudo tão rápido", conta, explicando que os desenhos saem todos da sua cabeça e da sua imaginação quando chega à praia. Fá-los à mão, com a ajuda de ferramentas de jardinagem. A única preocupação é chegar à praia quando a maré está a vazar para ter tempo de fazer a sua obra de arte.

Passar lá fora

Em média cada desenho - grandes figuras geométricas - demora entre três a cinco horas a ficar pronto. Depois tem de subir a uma escarpa para fotografar e filmar de modo a partilhar nas suas redes sociais (Instagram e Facebook). É a única forma de eternizar as suas obras uma vez que assim que a maré sobe o desenho na areia desaparece, mas orgulha-se de o seu trabalho ser visto em todo o mundo e de, em ocasiões anteriores, já ter passado em televisões e jornais.

Desta vez, na sexta-feira de manhã, Vítor Raposo decidiu que tinha de fazer uma mensagem para apelar aos portugueses que fiquem em casa e não se exponham ao contágio do vírus, com os efeitos do qual admite estar "muito assustado". Em dias normais, teria "centenas" de pessoas a assistir ao seu trabalho na praia e nas arribas, Desta vez não viu ninguém: "é arrepiante".

Dias antes tinha feito um outro dedicado aos profissionais de saúde. "Foi a minha forma de agradecer às pessoas que estão na linha da frente", disse, revelando que esse desenho fez com que tenha sido contactado pela UCIP do Hospital de Braga pedindo-lhe que fizesse um outro desenho dedicado a esses profissionais, "que estão a trabalhar com muitas dificuldades".

Pedidos de casamentos

Vítor já fez desenhos em várias praias do país, mas é da areia da praia Maria Luísa, em Albufeira, que mais gosta. "É a minha favorita. É muito fininha e quando está molhada fica muito compacta e escura. O desenho tem um impacto brutal", diz, revelando que lhe já lhe pediram desenhos na areia para pedidos de casamento e prendas de aniversário.

Desta vez, o desenho que fez na areia na sexta-feira tem como destinatários os portugueses, pedindo-lhes que fiquem em casa para que se protejam e evitem o contágio com o novo coronavírus que já matou 100 pessoas em Portugal. "Se todos fizermos um bocadinho, vamos minimizando o impacto disto", diz, admitindo que apesar do sol, "os dias que se vivem são cinzentos". O que quer com os seus desenhos é que sejam uma mensagem de ânimo.

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