Animais

Fim das corridas de galgos volta à discussão na Assembleia da República

Fim das corridas de galgos volta à discussão na Assembleia da República

O projeto de lei que exige o fim das corridas de galgos tem mais de 20 mil subscritores e é dos poucos que chegam à Assembleia da República (AR) pela mão de um grupo de cidadãos.

Querem proibir as corridas de cães em Portugal. Não aceitam que se lucre com o sofrimento animal, falam em "práticas bárbaras", várias queixas no Ministério Público e denunciam apostas ilegais. Sandra Cardoso, médica veterinária e investigadora, é a porta-voz do grupo de cidadãos e foi, esta terça-feira à tarde, ouvida na Comissão de Agricultura e Mar.

"Não continuem a disseminar informações erradas à sociedade, dizendo que isto não existe, que estamos a inventar, que os animais são bem tratados, que as corridas de cães são uma brincadeira de amigos. Não são! Há provas! É uma prática bárbara que nada traz de nobre ou de positivo ao nosso país", afirmou a veterinária, que é também presidente da associação SOS Animal.

Há dois anos, recordou, um projeto de lei idêntico foi a discussão no parlamento. PSD, CDS-PP, PCP e a maioria dos deputados do PS chumbaram as propostas de BE e PAN. Seis meses depois, frisa, o caso do cavaleiro João Moura reabria a discussão e mostrava que, afinal, ao contrário do que se argumentou, não eram "suposições" e "exemplos de países que nada têm a ver com a realidade nacional".

Num vídeo mostrado aos deputados, Sandra Cardoso explica: em Portugal, há treinos violentos com recurso a passadeiras e noras, doping, apostas ilegais e abandono dos cães que já não servem para correr.

Deputados divididos

Paulo Leitão, do PSD, teme que uma proibição assim "acabe com boas e más práticas" e lembra que maus-tratos e abandono já são punidos por lei. Há apenas que a fazer cumprir.

PUB

Pelo PS, João Castro diz que não são as corridas que fazem os maus-tratos e que proibi-las não é a solução.

Também o PCP considera as "generalizações" perigosas e diz que "não se deve proibir só porque não se gosta". O caso de João Moura é, frisa, um exemplo que a lei funciona e pode sempre "ser melhorada".

BE, PAN e a deputada não inscrita Cristina Rodrigues já fizeram saber que irão apresentar projetos de lei no mesmo sentido.

"As corridas de cães violam a lei. Forçam comportamentos através de estímulos violentos", frisou Maria Manuel Rola, do BE, ela que será a relatora dos trabalhos da comissão na análise deste projeto de lei.

Inês Sousa Real, do PAN, lembra o sofrimento a que são submetidos os cães, as noras usadas para treino e o mercado das apostas ilegais. Um pouco por todo o mundo, lembrou Cristina Rodrigues, aumentam os países que dizem não a estas práticas. Portugal, defende, tem que lhes seguir o exemplo.

Sandra Cardoso explica que "há corridas onde não há sequer médico veterinário presente" e, mais grave, diz, "há dinheiro do erário público" a financiar corridas e associações promotoras.

"Nenhum médico veterinário com formação em bem-estar animal vem dizer que o comportamento natural de um galgo é correr atrás de uma lebre, açaimado e instigado negativamente por um ser humano", rematou.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG