Saúde

Fonte da legionela cada vez mais longe de identificar

Fonte da legionela cada vez mais longe de identificar

Centros de Saúde têm falta de pessoal. Instituto Ricardo Jorge soube do surto pela comunicação social. Surto que infetou 88 pessoas, matou 15 nos concelhos de Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim.

Seis dias para identificar o surto, nove para partir para o terreno, 14 para encerrar as torres suspeitas. Um alerta ao Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) que chega pela Comunicação Social, falta de pessoal, genótipos que não coincidem, uma fonte que pode, agora, nunca ser encontrada, nenhuma intervenção do Ministério do Ambiente. As respostas são dos presidentes do INSA e da Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM) e da diretora do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Póvoa de Varzim/Vila do Conde. A culpa parece, cada vez mais, perto de "morrer solteira" no surto de legionela que infetou 88 pessoas e matou 15 nos concelhos de Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim.

"Tivemos conhecimento do surto a 3 de novembro (o 1.º caso foi a 29 de outubro). O encerramento das torres foi a 11. Oito dias parece-me razoável e nada prejudicado pelas circunstâncias que atravessamos", afirmou, na comissão de saúde da Assembleia da República, o presidente do conselho de administração ULSM. António Taveira Gomes admite, no entanto, que a Unidade de Saúde Pública tem "falta de pessoal" - sobretudo, técnicos de saúde ambiental - ainda assim alocou recursos de outras áreas e reforçou a equipa com contratos a termo. No ACES, diz Judite Neves, o cenário repetiu-se.

"Temos os recursos científicos e técnicos que temos, selecionamos todas as amostras, fizemos tudo no tempo que é possível e as estirpes [encontradas nas torres da Longa Vida e nas secreções dos doentes] não coincidem", frisou Taveira Gomes, admitindo, no entanto, que encerrar, à cabeça, todos os potenciais focos teria sido "mais eficiente" e "altamente desejável", mas para isso era preciso alterar a lei.

Do lado do INSA, Fernando Almeida começou por dizer que soube do surto pela Comunicação Social. Depois, disse que, afinal, "ao mesmo tempo, já os técnicos estavam em contacto".

O Instituto só a 7 de novembro começou a trabalhar no surto de legionela. Ou seja, dez dias depois do primeiro caso. Diz que ainda está a receber amostras dos hospitais e que haverá um relatório final. Se ainda é possível identificar a fonte não esclarece. Também não diz se havia cloro em excesso nas amostras colhidas, que pudessem denunciar uma lavagem das torres antes da chegada das autoridades.

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