Demissão

Fora do Parlamento, CDS fica sem líder

Fora do Parlamento, CDS fica sem líder

Rodrigues dos Santos assumiu responsabilidade do resultado e demitiu-se da liderança do partido.

Consulte aqui os resultados no seu concelho e freguesia

Numa noite embrulhada pelo silêncio, o CDS-PP viu confirmar-se o cenário mais negro para o partido. Nunca em eleições legislativas os centristas obtiveram um resultado tão baixo e que deixa o partido de fora do Parlamento.

PUB

No decorrer da noite, a preocupação dos militantes do partido tornou-se evidente. Nos próximos quatro anos, a Assembleia da República não terá lugar para o CDS, cujos cinco deputados centristas eleitos em 2019 desaparecem, assim, da sala de audiências parlamentares. Por tudo isto, Francisco Rodrigues dos Santos assumiu a responsabilidade dos resultados e demitiu-se de presidente do partido.

"Devemos ser responsáveis e assumir com lealdade as consequências", reiterou, saudando António Costa pela "vitória eleitoral inequívoca".

Sem querer referir as "múltiplas razões" pelas quais os centristas perderam tantos votos, Rodrigues dos Santos relembrou que herdou um partido "falido financeiramente" e que o fez em condições muito difíceis, referindo-se às críticas internas. Mas garantiu: "Nunca farei aos outros aquilo que me fizeram a mim". Ficou a dúvida sobre se será recandidato à liderança no próximo congresso, cuja data ainda não está marcada.

Ainda assim, Rodrigues dos Santos garantiu que "apesar deste mau resultado, (o CDS) não morreu" e que será sempre o seu partido.

Ao início da noite, um dos rostos mais conhecidos do partido, o antigo líder José Ribeiro e Castro, juntou-se à comitiva do atual presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, para acompanhar a noite eleitoral. Mas só muito depois da meia-noite, altura em que a contagem dos votos estava praticamente fechada, é que Rodrigues dos Santos discursou, tendo sido recebido com aplausos dos militantes, a maioria da Juventude Popular, a quem fez questão de agradecer o apoio durante a campanha.

Já no início da noite, não considerando sequer como hipótese o partido não ter, na próxima legislatura, representação parlamentar, Pedro Melo, vice-presidente do partido, confiava que, a confirmar-se uma maioria de Esquerda no Parlamento, o CDS desempenharia, nesse contexto, um papel forte naquela que seria a Oposição na Assembleia da República.

Sobre a abstenção, disse que um aumento da participação é "um bom sinal para o país". Ainda assim, sem os votos de cerca de metade dos portugueses, Pedro Melo considerou que este nível de abstenção "não pode entusiasmar ninguém". Recordou ainda uma proposta do partido, em que sugeriu que a votação decorresse em dois dias, acreditando que isso poderia ajudar num aumento de portugueses a ir às urnas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG