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Forças e as fraquezas de cada partido

Forças e as fraquezas de cada partido

Os partidos não são todos iguais. Há os que dependem dos mais velhos, como PS, PSD, PCP e CDS. Há os que beneficiam de um apoio mais jovem, como BE e PAN. Também há os que são privilegiados pelos mais ricos, como a Iniciativa Liberal. Ou os que têm uma força sobretudo masculina, como o Chega.

PS líder em toda a linha

O PS lidera em todos os segmentos da amostra, seja quando se analisa as faixas etárias, seja quando se destacam os escalões de rendimento, ou, finalmente, quando se olha para a geografia. Relativamente ao segundo classificado, o PSD, a distância é maior entre o eleitorado feminino (mais 16 pontos percentuais), no escalão dos 25 aos 35 anos (mais 19 pontos), na classe média baixa (mais 26 pontos) e na região Sul (mais 28 pontos).

Note-se, no entanto, que a análise destes segmentos tem apenas em conta a intenção direta de voto, não se fazendo a distribuição dos indecisos. Por outro lado, são dados que devem ser lidos com cautela, uma vez que o número de inquiridos de cada uma delas é naturalmente muito mais pequeno e, portanto, têm margens de erro muito mais elevadas. Ainda assim, dão algumas indicações interessantes.

Por exemplo, e ainda relativamente aos socialistas, mostram que o apoio eleitoral é maior quanto mais velhos são os eleitores: oscila entre os 25% (18/24 anos), e os 38,8% (65 ou mais anos). O PS é mais forte nos escalões médios de rendimento (onde consegue entre 34,4% e 38,8%), ficando ligeiramente abaixo dos 30 pontos nos dois extremos. Finalmente, ao nível regional está sempre acima dos 30%, destacando-se o Sul (sem Lisboa), com 38,8%, e o Grande Porto, com 36,5%.

PSD está envelhecido

O PSD é um partido mais masculino (22,7%) do que feminino (18,2%), mas, a exemplo dos socialistas, é mais forte nas duas faixas etárias mais velhas, umas décimas acima dos 23 pontos entre os eleitores a partir dos 55 anos. O pior resultado regista-se no escalão 25/34 anos, onde fica pelos 11,6%.

No que diz respeito a rendimentos dos inquiridos, os sociais-democratas quase igualam os socialistas nos mais pobres (27%), mas tem um notório problema com a classe média de rendimentos mais baixos (12,9%), que ainda por cima tem o maior contingente.

Finalmente, quanto mais para Norte, maior é o apoio ao partido liderado por Rui Rio, que foi presidente da Câmara do Porto, durante 12 anos. Na Região Norte (sem Porto) marca 25,2%, enquanto no Grande Porto chega aos 24,3%. As maiores dificuldades estão no Sul (sem Lisboa), com 10,4%.

Bloco feminino e jovem

O BE tem mais apoio entre as mulheres (7,9%) do que entre os homens (5,9%) e é nitidamente mais forte nos eleitores mais jovens (18/24 anos), em que marca 18,8%, sendo o segundo maior partido neste segmento (e é importante salientar que em próximas sondagens, no caso do BE, como de outros partidos, é provável que haja variações acentuadas em qualquer das subamostras).

Os bloquistas concentram maiores apoios entre os que são mais favorecidos nos rendimentos, com percentagens a rondar os nove pontos percentuais nos dois escalões mais altos, o dobro do que conseguem entre os dois segmentos mais pobres. A sua distribuição regional é razoável em todos os casos, mas destacam-se, ainda assim, a Região Centro (9,1%) e o Grande Porto (8,1%).

Chega é para homens

O partido da extrema-direita tem mais força entre os homens (8,8%) do que entre as mulheres (4,5%), e uma implantação assinalável nas faixas etárias dos 35/44 anos (10,4%), segmento em que já é o terceiro maior partido, e dos 45/54 anos (8%). Os menos alinhados com a sua ideologia radical são os mais novos (2,1%) e os mais velhos (4,5%). No que diz respeito ao rendimento, entra em todos os escalões, mas com mais força entre os mais ricos (7,2%), e um pouco menos entre os mais pobres (5,4%).

É a Sul do país (10,4%) que o Chega tem mais força, mas isso de pouco lhe valeria numas eleições. Mais importante são os 7% no Norte (que talvez rendesse um lugar no Parlamento por Braga), os 7,1% no Centro (suficiente para um eventual deputado por Aveiro), os 4,1% do Grande Porto (porventura valeria dois deputados), e os 4,8% da região de Lisboa (com a eleição de três a quatro deputados nos círculos de Lisboa e Setúbal).

CDU para quem tem menos

Quanto mais baixa a projeção geral de votação para um partido, menos fiável é a informação relativa aos diferentes segmentos, uma vez que a subamostra é claramente insuficiente. Feito o alerta, pode dizer-se que os comunistas têm um eleitorado mais masculino (5,2%) que feminino (3,3%), e que conseguem os melhores resultados entre os mais novos (8,3%) e os mais velhos (4,5%), sendo este o segmento mais numeroso e menos abstencionista.

No que diz respeito aos escalões de rendimento, tem uma indicação de voto bastante forte no que poderemos chamar uma classe média de baixo rendimento (8,2%), onde aparece como terceiro maior partido, revelando fragilidades em todos os outros. Em termos de distribuição regional, a força maior está a Norte (6,1%) e em Lisboa (4,8%).

PAN é um partido urbano

Os ambientalistas/animalistas continuam - como aconteceu ao longo das sondagens anteriores às eleições de outubro - a ser um partido sobretudo feminino (3,4%, face a 1,5% entre os homens) e mais forte entre os eleitores mais novos, em particular, desta vez, na faixa dos 25/34 anos (8,1%), em que é o terceiro partido mais referido. Os mais velhos simplesmente ignoram o movimento liderado por André Silva (marca 0,7% nos que têm 65 ou mais anos).

O PAN é também um partido de classe média, sobretudo entre aqueles que têm melhores rendimentos (3,9%), e continua a ter o seu principal núcleo de apoio nas zonas urbanas, em particular no Grande Porto (4,1%). Não teve um único "voto" entre os mais pobres e não convence, de momento, os eleitores do Norte (0,9%).

CDS depende dos idosos

A igualdade de género é a norma entre os centristas, no que ao apoio eleitoral diz respeito, sendo claramente mais forte entre os eleitores de 65 e mais anos (3,7%) e praticamente ignorado entre os escalões mais jovens. Fatura entre os mais ricos (3%) e revela maiores dificuldades nos escalões intermédios de rendimento, o que é uma péssima notícia, tendo em conta que são os mais numerosos. Ao nível geográfico, é a Norte que regista os melhores resultados (4,3%), enquanto no Sul fica a zero.

Liberais são os mais ricos

Os Liberais não acusam a mudança de líder e ganham até algum apoio eleitoral (embora, quanto mais pequeno o partido, maior a probabilidade de grandes oscilações num inquérito de opinião). Não há diferenças de género, mas é bastante mais forte no escalão mais jovem (6,3%) e ignorado no mais velho. Característica que se mantém constante é a sua capacidade entre os mais ricos (3,6%), desaparecendo gradualmente à medida que os eleitores empobrecem. Lisboa, por onde elegeu o seu único deputado, mantém-se como a praça-forte (2,4%).

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