Farmacêuticos

Franklim Marques: "Somos muito mais do que simples dispensadores de medicamentos"

Franklim Marques: "Somos muito mais do que simples dispensadores de medicamentos"

Franklim Marques, presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Farmacêuticos, pretende avançar com candidatura para bastonário.

Depois de três mandatos à frente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Farmacêuticos, além de vários cargos na estrutura nacional, Franklim Marques pretende agora candidatar-se ao cargo de bastonário nas eleições previstas para março de 2022.

A intenção de se candidatar foi avançada ao JN pelo professor da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, destacando a sua relação "umbilical" com a instituição desde os tempos em que ainda era estudante. "Os professores eram os dirigentes. Havia uma proximidade muito grande entre a Ordem e as faculdades de farmácia", contou.

A mais-valia que começa por destacar, aos mais de 15 mil membros da instituição, tem a ver com a experiência adquirida pelos cargos onde passou, que lhe deram uma visão diferenciada da Ordem e da profissão. Mas, "mais importante" considerou ser a capacidade adquirida em ouvir os colegas.

"Dificuldades que têm a nível de empregabilidade, no dia a dia profissional, na formação ou na falta dela", disse. Uma das razões para anunciar já a intenção de concorrer, antes de formalizar a candidatura, é precisamente a de ter tempo de ouvir mais os farmacêuticos e consolidar o programa com que se vai apresentar à votação.

Foco no doente

Como linhas mestras da candidatura tem já definidas a valorização do saber dos farmacêuticos e na capacidade destes para atuar de forma multidisciplinar com os restantes profissionais dentro do sistema nacional de saúde, que inclui os setores público e privado. Sempre com o foco no utente. "Só faz sentido fazermos alguma coisa se tivermos como objetivo o doente", frisou.

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Sobre a valorização profissional, o também membro da direção nacional da Ordem explicou que "o farmacêutico hospitalar tem um papel preponderante e se calhar devia ser mais reconhecido". Segundo o responsável, só há "pouco tempo" é que foi criada a a carreira hospitalar, e, mesmo assim, "ainda não abriram vagas".

Também na área das farmácias comunitárias falta a devida valorização profissional. "Muitas vezes, os nossos colegas trabalham imenso e às vezes, em alguns casos, não são nada reconhecidos pelo trabalho que desempenham.

"Nós somos muito mais que simples dispensadores de medicamentos", sublinhou quando questionado sobre se os farmacêuticos podiam ter sido chamados para o combate à pandemia.

"Foram muitos raros os que não estiveram na linha da frente. Quando outros setores diminuíram a atividade, como os Cuidados de Saúde Primários, as farmácias comunitárias estiveram lá, mesmo quando não havia meios de proteção como álcool e máscaras, a apoiar as pessoas mais desfavorecidas". Bem como os farmacêuticos de análises clínicas, muitos ainda ter recebido a vacina, revelou.

Consulta farmacêutica

Por outro lado, defendeu, os profissionais poderiam ter acompanhado melhor os doentes crónicos não covid-19, "a consulta farmacêutica já estivesse implementada com toda a normalidade".

"E nós, no Porto, temos uma grande tradição nessa área. Desde 2010 que fazemos cursos de cuidados farmacêuticos, de farmácia clínica e de consulta farmacêutica".

"O medicamento é o instrumento de trabalho para o farmacêutico como o bisturi é para o cirurgião", defendeu, acrescentando que o profissional conhece "o medicamento desde o seu processo de conceção e produção até ao momento ele é utilizado como terapêutica".

"No momento em que as pessoas com doenças crónicas se sentiram desprotegidas porque não tiveram medicação, podíamos ter dado muito mais. Podíamos ter aproveitado o nosso saber, as nossas competências, para atuar nessa área e libertar os médicos para o fim a que estão destinados: diagnóstico clínico e tratamento de urgências."

Sobre a vacinação, Franklim Marques reconheceu que "no início do processo, porque havia poucas vacinas e a necessidade de as controlar" estas deviam ter sido dadas em "ambiente controlado. Porém atualmente, com o conhecimento à data "não se entende" porque é que os farmacêuticos não são chamados como tem acontecido noutros países, como em França e Canadá.

"A experiência que temos na área da vacinação não é só de agora. Poderíamos ter sido utilizados, quer na farmácia quer individualmente, porque temos competências e habilitações legais. Se for preciso de certeza absoluta que estamos cá para ajudar o país", destacou.

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