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Mortalidade

Frio explica uma em cada quatro mortes no mês de janeiro

Frio explica uma em cada quatro mortes no mês de janeiro

As temperaturas baixas potenciam a covid-19. O frio foi responsável por 24% dos óbitos no primeiro mês do ano. No entanto, nem todas as mortes são explicadas pelo novo coronavírus.

A covid-19 não explica tudo. Segundo o Instituto Ricardo Jorge (INSA), entre 28 de dezembro e 31 de janeiro registou-se um excesso de mortalidade, 74% mais elevada do que o previsto.

Houve 20 mil mortes, 5875 das quais atribuídas à covid, contudo, o frio também tem uma palavra a dizer nas estatísticas. "24% [das mortes] atribuíveis às baixas temperaturas". Ou seja, uma em quatro mortes explica-se com o frio. Quem faz as contas é Ana Paula Rodrigues, médica de saúde pública no departamento de epidemiologia do INSA, em declarações ao "Jornal de Negócios".

Nas datas em causa "cerca de 69% da mortalidade em excesso é potencialmente atribuível à covid-19 e cerca de 24% é atribuível às baixas temperaturas", explica a médica, apoiando-se nas estimativas preliminares que se baseiam no modelo utilizado no Euromomo e que normalmente faz a análise do impacto dos fatores da gripe e das temperaturas na mortalidade.

Com a pandemia, houve uma adaptação para incluir a covid-19 nos dados.

Frio e covid-19 estão relacionados, segundo a especialista, e são "dois fatores que não se somam, é pior do que isso, potenciam-se". "Se pensarmos em termos teóricos, o frio tende a agravar vários tipos de doenças. O frio obriga a um maior esforço do organismo para manter a temperatura corporal e doentes com problemas cardíacos e respiratórios ficam mais vulneráveis. Além disso, no curso natural de uma infeção, o frio agrava a situação do doente", explica Ana Paula Rodrigues.

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Ainda assim, o INSA não tem dados suficientes para perceber qual a proporção de mortes por covid-19 que foram precipitadas pelo frio.

A questão da transmissibilidade também é posta em cima da mesa, já que o frio "potencia" o contágio, obriga as pessoas a estarem em espaços fechados e menos ventilados e, por outro lado, "deixa as mucosas nasais mais permissíveis à infeção e a velocidade a que se deslocam as gotículas também é maior com o frio e baixa humidade".

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o último janeiro, em Portugal, foi o quarto janeiro mais frio dos últimos 21 anos, contrariando a estatística, a nível mundial, que aponta o primeiro mês de 2021 como o mais quente, mas ao nível global.

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