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Futuro de Jerónimo na mão de Comité jovem e com menos operários

Futuro de Jerónimo na mão de Comité jovem e com menos operários

Mais do que ter na mão uma eventual sucessão de Jerónimo de Sousa, a ser sufragada no sábado à noite por um Comité Central renovado com mais jovens e menos operários, o XXI Congresso do PCP arranca esta sexta-feira, em Loures, envolvido naquela que arrisca ser a maior polémica com que uma reunião magna comunista já se debateu desde o 25 de Abril.

Por decorrer num concelho com alto índice de infetados por covid-19 e nos dias em que é esperado o pico da segunda vaga pandémica, o Congresso arrisca-se a ter de falar mais para fora do que a manter o habitual formato reservado da discussão e das portas fechadas quando chegam as horas das votações.

Após muitos dias de polémica, com o líder do PSD a ser acusado por Jerónimo de arregimentador dos que se opõem ao evento invocando razões sanitárias, as portas do Pavilhão Paz e Amizade abrem às 9 horas desta sexta-feira - com o discurso do secretário-geral esperado para as 11 horas - sem que se conheçam as regras que a Direção-Geral da Saúde (DGS) impôs ao PCP para que este Congresso fosse adiante.

Ao fecho desta edição, contactadas pelo JN, nem uma parte nem outra mostraram disponibilidade para revelar quem mais cedeu e se ainda havia alguma ponta a limar.

Históricos de saída

Apesar de terem como um dos principais objetivos o de analisar a experiência inédita de um apoio inquebrável a um Governo socialista, desde novembro de 2015 - pelo menos essa é uma matérias a analisar no projeto político de 77 páginas -, os 600 delegados ao Congresso (metade do previsto) vão aprovar a lista do futuro Comité Central, que reúne amanhã à noite já com os novos membros para eleger o novo secretariado - ou seja, o líder comunista.

Dos atuais 140 elementos, o órgão máximo do partido irá reduzir-se a 129, perdendo vários históricos, como o ex-secretário-geral Carlos Carvalhas [líder entre 1992 e 2004], o antigo deputado Agostinho Lopes e sindicalistas de peso, como o ex-líder da CGTP, Arménio Carlos, ou Fátima Messias, que chegou a ser apontada para ficar à frente da central sindical.

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Ao JN, quer Carvalhas quer Arménio desvalorizaram a sua saída. Quase parafraseando-se, alegaram a necessidade de um "rejuvenescimento" do órgão máximo. A verdade é que é um comité mais jovem e com menos operários que vai escolher se Jerónimo continua ou sai da liderança.

Dois elementos do Comité Central ouvidos pelo JN admitiram a "continuidade" por mais algum tempo de Jerónimo, o mesmo que admitiu estar disponível para ficar "mais um bocadinho". Um terceiro falou "de muitos camaradas aptos [...] como António Filipe". Já Arménio Carlos disse que "o Comité Central vai eleger um secretário-geral para quatro anos". "No PCP não há secretários-gerais a prazo", advogou.

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