30.05.2020

Religião

Fiéis regressam a Fátima com "saudades" da Nossa Senhora

Fiéis regressam a Fátima com "saudades" da Nossa Senhora

O Santuário de Fátima retomou, este sábado, as celebrações comunitárias.

Uma fila com mais de 100 metros de peregrinos com molhos de velas manteve-se praticamente durante toda a manhã deste sábado no Santuário de Fátima. Foi uma demonstração das "saudades" que os fiéis já tinham de poder voltar a participar nas celebrações comunitárias e de estar próximos da Virgem Maria.

Um cenário habitual nas grandes peregrinações, mas desta vez fora do tempo, e com um novo figurino: os rostos cobertos com máscaras de proteção e o distanciamento físico exigido pelas autoridades sanitárias, recordado através do sistema sonoro do recinto.

"Tinha tantas saudades. Tenho um pequeno altar em casa, mas faltava-me vir aqui, rezar o terço aos pés da Nossa Senhora, para que esta doença maldita [covid-19] se vá embora", afirmou, com a voz embargada pela emoção, Maria Cândida Albuquerque. Com meia dúzia de velas numa mão, e um ramo de rosas brancas na outra, a mulher, de 70 anos, residente nas Caldas da Rainha, esperava pacientemente, com a sogra, para chegar ao tocheiro. Depois, ia procurar um lugar na Capelinha das Aparições, para fazer a sua oração e cumprir a sua enorme devoção mariana.

O Santuário de Fátima, à semelhança do que aconteceu nos restantes templos católicos do país, retomou hoje as missas com a presença física de fiéis, após quase dois meses e meio de interrupção. A afluência de peregrinos terá ficado aquém do esperado, mas nas cerca de 1500 pessoas que participaram na missa das 11 horas, no recinto de oração, notava-se um sentimento de alegria e até de algum alívio por voltarem a poder participar numa celebração na Cova da Iria e cumprir as suas promessas.

Receio de contágio

Nesta fase de desconfinamento espiritual, o santuário criou um circuito de entrada e de saída na Basílica da Santíssima Trindade, para evitar a proximidade entre fiéis, e assinalou os locais onde podem sentar-se dentro do templo, para manter o distanciamento. No recinto, este distanciamento foi cumprido de uma forma geral, e junto à Capelinha das Aparições, onde normalmente se concentram mais pessoas, os vigilantes foram aconselhando e recordando aos peregrinos que deviam manter a distância.

"É uma sensação de alguma estranheza, para quem está a celebrar, olhar para um vasto recinto com as pessoas completamente dispersas em vez de unidas a fazer assembleia, mas é a estranheza que se conjuga com a responsabilidade necessária", admitiu o reitor do santuário, padre Carlos Cabecinhas, numa declaração aos jornalistas, antes do início da Eucaristia, que celebrou sozinho no altar do recinto, coadjuvado apenas por dois acólitos.

Agradado com a possibilidade de voltar a Fátima, mas receoso com a descontração demonstrada por alguns peregrinos, Joaquim Assunção, 67 anos, aproveitou o regresso às celebrações comunitárias para, na companhia da esposa - Maria Cristina, 70 anos -, cumprir a promessa anual de colocar uma vela por "cada elemento da família" (22 no total). "O santuário está bem sinalizado e bem organizado, mas vejo aqui pessoas muito à vontade e sem máscara", assinalou o reformado, residente no Porto.

Consciente do temor de alguns fiéis, não especificamente em relação a Fátima, mas à generalidade dos espaços que possam ser fonte de contaminação do coronavírus, o padre Carlos Cabecinhas reconheceu que este pode ser um ano com muito menos peregrinos, sobretudo estrangeiros.

"Tenho confiança que uma parte significativa do movimento de portugueses que vem ao Santuário de Fátima se recupere, já em relação aos grupos de estrangeiros será muito difícil. Porque viagens foram canceladas, peregrinações foram canceladas, e reorganizar tudo para quem tem de vir em viagem de avião, tem de prever alojamento, vai ser um processo de retoma muito lento", afirmou o sacerdote.

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