Relatório

Golas ficam furadas mas não inflamam com chamas

Golas ficam furadas mas não inflamam com chamas

As golas antifumo em poliéster, adquiridas para o "Aldeia Segura", não se inflamam mas ficam furadas com as chamas. A conclusão consta na análise à composição do material, pedida pelo Governo. O ensaio não estudou nem a libertação de gases tóxicos, nem o perigo de queimaduras para o ser humano quando submetidas ao calor.

"Sujeitando a gola ao impacto de partículas incandescentes, verificou-se que esta era perfurada pelas partículas mas não entrava em combustão", aponta o ensaio de golas, levado a cabo pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF), da Universidade de Coimbra, liderado pelo investigador Domingos Xavier Viegas, que surge antes do apuramento dos contornos do negócio, que levou a 1909 povoações do programa "Aldeia Segura" tais materiais.

Ao JN, Xavier Viegas admitiu que "não houve tempo para estudar outras situações", como a libertação de gases tóxicos e o perigo de queimaduras. "Tivemos muito pouco tempo para analisar essas questões, porque o que nos foi pedido é que víssemos se eram inflamáveis", reconheceu, sobre o estudo que foi realizado no dia 28 de julho.

O investigador, que garantiu que "ainda não se falou [com o Ministério da Administração Interna] de um custo deste estudo" feito pelo CEIF, até porque, "tendo em conta o período de férias, ainda iremos analisar algumas outras questões".

Porém, assumiu que "estas golas não são as mais indicadas para distribuir à população".

Neste relatório preliminar foram feitos ensaios com as golas, sujeitando-as a partículas incandescentes e a chamas, "do tipo chama de isqueiro ou de mato", a várias distâncias.

PUB

"Podemos dizer que as golas testadas não se inflamaram - isto é não entraram em combustão com chama - mesmo quando sujeitas a fluxo de calor de muita elevada intensidade, produzidas por chamas cuja altura variou entre um a quatro metros, mesmo quando colocadas a uma distância inferior a 0,50 metros das chamas, durante mais de um minuto", conclui-se no documento.

Houve ainda outros testes e nesses "verificou-se que as partículas incandescentes perfuravam a gola mas esta não se inflamava".

Este estudo surgiu na sequência do inquérito que o ministro da Administração Interna (MAI) ordenou à Inspeção-geral da Administração Interna (IGAI) sobre o processo de aquisições dos equipamentos destinados ao programa "Aldeia Segura".

Por norma, quem assume a análise da qualidade, da composição e aptidão dos tecidos no país são instituições como o CITEVE - Centro Tecnológico Industrias Têxtil e Vestuário de Portugal.

No caso da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), tem sido sempre o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) a realizar estudos como este, mas desta vez a escolha recaiu sobre o CEIF.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG