Covid-19

Governo decide hoje futuro de dois milhões de alunos (e pais)

Governo decide hoje futuro de dois milhões de alunos (e pais)

Conselhos de Reitores e dos Politécnicos só avançam para encerramento por decisão das autoridades de saúde.

Pede-se serenidade, num dia de enorme expectativa. A pedido do Governo, o Conselho Nacional de Saúde Pública (CNSP) analisa esta quarta-feira se as escolas devem ou não fechar para mitigar a propagação do coronavírus. E em que moldes: totalmente ou nas zonas com focos de infeção. Do pré-escolar ao Superior, são mais de dois milhões os alunos expectantes. A que se juntam outros tantos pais.

Após uma reunião com oito dos seus ministros, esta terça-feira, em Lisboa, António Costa foi taxativo: ""Isto é como ir ao médico e ter de seguir as prescrições. Não podemos pôr-nos a adivinhar ou a fazer automedicação". Ou seja, se a recomendação do CNSP, órgão consultivo do Executivo composto por investigadores e especialistas clínicos, for no sentido do encerramento, "adotaremos imediatamente". Se se determinar o fecho em focos de infeção por Covid-19, como vigora já em Felgueiras e Lousada, "é o que iremos fazer".

De quem lida com os mais pequenos, concretamente o terceiro setor através de creches e jardins de infância, a quem trabalha diretamente com os quase doutores, universidades e politécnicos, a opinião é comum. Está em causa a saúde pública. Decide quem mais informação e melhores competências tem sobre o problema em mãos. Em caso de fecho, à serenidade seguir-se-á a solidariedade.

Com um conjunto de medidas já a ser pensadas. Mas também com pedidos de atenção a populações estudantis mais fragilizadas: os alunos deslocados no Superior e as crianças institucionalizadas no setor social. Esperando-se que ao fecho de uma escola corresponda o fecho de um ATL (atividades de tempos livres). Caso contrário, estaremos a transferir crianças de um lado para outro.

Corrida contra o tempo

Mas por que razão, afinal, o fecho de escolas, não sendo as crianças um grupo de risco, pode impactar na propagação no Covid-19? "Os idosos são as grandes vítimas da gripe, mas não são eles que a fazem circular, são as crianças, porque interagem umas com as outras, frequentam locais com muita gente e onde é mais difícil implementar regras de etiqueta respiratória", explica ao JN o infecciologista Jaime Nina.

Ou seja, têm um "grande papel na circulação do vírus e há uma experiência grande e acumulada de que medidas como o fecho de escolas permite diminuir a circulação do vírus". Num raciocínio por analogia à gripe, Jaime Nina frisa estar-se numa "corrida contra o tempo, porque as infeções respiratórias abrandam no Verão", pelo que "faz sentido" fechar as escolas.

Calendário escolar

Esta terça-feira, tanto o Conselho de Reitores das Universidades como o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos fizeram saber que todas as instituições têm os seus planos de contingência ativos, aguardando os resultados da reunião desta quarta-feira. Em caso de fecho, e tendo o Superior essa autonomia, o calendário académico pode ser prolongado, as unidades curriculares poderão ser alteradas, a carga horária pode ser reforçada e o ensino à distância é para aplicar.

Dependente do Ministério da Educação estão as escolas, que sugeriram já a antecipação das férias escolares de Páscoa. Diretores de escolas públicas - ANDE e ANDAEP - e privadas - AEEP - ouvidos pelo JN juntam-se à expectativa dos pais, sendo consensual que a prioridade é o bem-estar de todos e que a escola é uma estrutura resiliente.

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