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Governo anuncia que Miguel Frasquilho renunciou a aumento na TAP

Governo anuncia que Miguel Frasquilho renunciou a aumento na TAP

O Ministério das Infraestruturas e Habitação anunciou que Miguel Frasquilho, presidente do Conselho de Administração da TAP, "já comunicou a intenção de renunciar a qualquer diferencial que resulte de acumulação das funções com efeitos à data de 28 de outubro", sem comentar informações de que possa ter havido pressão do ministro perante a polémica que se instalou com os aumentos. Por sua vez, Frasquilho diz que abdica da subida salarial para participar de forma "tranquila" nas negociações sobre o futuro da TAP.

Em comunicado, o Ministério responde à polémica sobre aumentos na TAP, referindo que "não teve qualquer acréscimo de custos salariais com as funções desempenhadas pelos três administradores, bem pelo contrário

Face às notícias sobre os aumentos salariais efetuados na TAP, nomeadamente do seu CEO interino, Ramiro Sequeira, o Governo diz numa nota enviada ao JN que, "comparando o mês de março com o mês de dezembro do atual ano, os encargos com o Conselho de Administração da TAP, na sua atual configuração, reduziram-se em 33% em valores brutos".

"Importa também esclarecer que os valores que têm sido noticiados não são aqueles que efetivamente têm sido pagos aos três administradores, uma vez que se tratam de valores brutos, sobre os quais têm sido aplicados reduções que atingiram os 35% durante o lay-off (uma percentagem de corte superior à que foi aplicada aos trabalhadores) que e se mantêm neste momento nos 5%, quando a TAP já não está a aplicar cortes nos vencimentos dos trabalhadores", argumenta ainda o Ministério.

Além disso, refere que, quando o plano de restruturação estiver a ser aplicado, o corte salarial dos trabalhadores atingirá um máximo de 25% (e apenas nos salários mais elevados), e no caso dos administradores será de 30%.

O Governo procura especialmente justificar o aumento para quase o dobro do salário de Ramiro Sequeira. "Era até setembro passado 'chief operating officer' da TAP e passou a presidente executivo interino. Passou, assim, a ocupar uma função com um evidente acréscimo de responsabilidades, e que implicou um aumento salarial. Ainda assim, importa referir que Ramiro Sequeira aceitou um salário bastante inferior ao salário de referência do seu antecessor nas mesmas funções, Antonoaldo Neves". "Portanto, o CEO da TAP não teve qualquer aumento de remuneração, pelo contrário, verificou-se uma diminuição". alega o Ministério de Pedro Nuno Santos.

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Também Alexandra Vieira Reis passou de "Chief Procurement Officer" da TAP, um cargo diretivo, para administradora executiva e, com isso, foi feita a atualização salarial correspondente à mudança de funções, justifica em seguida. E aproveita para sublinhar que Ramiro Sequeira e Alexandra Vieira Reis estão a acumular as novas funções com as funções antigas e que o aumento salarial que tem sido noticiado contabiliza as duas funções que, transitoriamente, ocupam em simultâneo.

Pedro Nuno Santos pressionou Frasquilho?

Quanto a Miguel Frasquilho, "chairman" da TAP SGPS, acumulou com as funções que já exercia, desde outubro as funções que anteriormente eram desempenhadas por Humberto Pedrosa, como presidente do Conselho de Administração da TAP S.A. e da Portugália, pelo que "a remuneração foi automaticamente ajustada às funções desempenhadas, sem que tenha existido qualquer aumento de massa salarial paga para as funções acumuladas", diz o Governo socialista. No entanto, confirma mesmo no final do comunicado que Miguel Frasquilho "já comunicou a intenção de renunciar a qualquer diferencial que resulte de acumulação das funções com efeitos à data de 28 de outubro".

Segundo o Expresso, foi o ministro Pedro Nuno Santos quem forçou Miguel Frasquilho, presidente do conselho de administração da TAP, a abdicar do aumento de 1500 euros mensais líquidos na sua remuneração. Deixa assim cair esta parte do salário que assim volta aos 12 mil por mês, em vez dos 13,5 mil euros que foram decididos no final de outubro. O mesmo não terá feito com os outros aumentos, concordando com os restantes.

Questionado pelo JN sobre estas alegadas pressões, o Ministério não quis comentar, remetendo para o comunicado.

Presidente diz que abdicou para ter tranquilidade

Entretanto, Miguel Frasquilho explicou numa nota à imprensa que abdicou do acréscimo salarial de que usufruiu a partir da saída de Humberto Pedrosa, por querer continuar a fazer parte das negociações sobre o futuro da TAP, sem mediatismos prejudiciais.

"Porque quero estar a participar nas conversações e negociações que serão fundamentais para o futuro da TAP de forma absolutamente tranquila e sem qualquer mediatismo associado que possa prejudicar a nossa companhia de bandeira, informo que abdiquei dessas condições com efeitos à data de 28 de outubro", lê-se num comunicado.

Além disso, refere que passaram para si as mesmas condições remuneratórias do seu antecessor, que renunciou aos cargos de administrador que desempenhava no grupo TAP, "por força das presidências e das responsabilidades acrescidas" que assumiu.

"Não houve, assim, qualquer acréscimo de custos para a TAP por força da minha assunção destas funções", garante Frasquilho.

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