Pandemia

Governo está sob pressão máxima para fechar escolas

Governo está sob pressão máxima para fechar escolas

A pressão sobre o Governo para fechar as escolas devido à escalada da pandemia subiu vários degraus de uma só vez. Por escrito e de viva voz, na terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou a "quase unanimidade" dos peritos sobre a vantagem do fim das aulas presenciais a partir dos 12 anos e agendou a "reflexão" para terça-feira, no Infarmed.

Com os médicos a falar de "catástrofe", os sindicatos de professores a pressionar e o PSD a carregar no tom - e perante 218 mortes num só dia -, António Costa já admite fechar escolas, se a estirpe inglesa do vírus se tornar dominante.

O JN perguntou ao gabinete do primeiro-ministro a partir de que valor de infeções pela nova estirpe tomará esta decisão, mas não teve resposta. A avaliar pela informação da última reunião no Infarmed, o patamar já pode ter sido atingido.

Óscar Felgueiras, matemático especialista em epidemiologia da Universidade do Porto, disse ao JN que o laboratório Unilabs detetou a variante em 8% dos testes.

"Mesmo com um peso de 10% da nova variante inglesa, o Rt [indicador que mede o grau de transmissibilidade do vírus] sobe 0,04, isto é, mais 5%", calcula. Um Rt de valor superior a 1 significa que o número de infeções continua a subir. A variante inglesa pode duplicar a presença em Portugal "em pouco mais de semana e meia", afirmou. O Instituto Nacional Ricardo Jorge (INSA) tem seguido a evolução da estirpe, mas só nos próximos dias revelará a prevalência.

PUB

39 mil alunos confinados

No Parlamento, ontem, o primeiro-ministro insistiu que "o custo" de fechar as escolas seria pago "daqui a 10 anos" e lembrou que a testagem em massa a alunos, professores e pessoal não docente começa hoje. O objetivo é encontrar focos de infeção antes que se transformem em surtos.

Na segunda-feira, havia 78 surtos ativos em escolas, desde as creches ao superior, de acordo com a Direção-Geral da Saúde. Aos deputados, António Costa acrescentou que 13 escolas estão fechadas (de um total de cinco mil) e há 39 mil alunos confinados (de um total superior a um milhão).

O primeiro-ministro admitiu, porém, que " muito provavelmente vamos mesmo ter de fechar as escolas" se a estirpe inglesa do vírus se tornar dominante. "Nessa altura, poderá vir dizer que recuei", afirmou, dirigindo-se a Adão Silva (PSD).

Os social-democratas têm sido a força política mais vocal nesta exigência. Ao JN, David Justino, vice-presidente do PSD, avançou que o partido não discutiu uma eventual retirada de apoio à renovação do estado de emergência no final deste mês. Nessa altura, acredita, "de certeza que já fecharam as escolas". Mas só depois de a disseminação estar descontrolada. "Vamos correr atrás do prejuízo".

Crianças transmissoras

Os diretores de escolas públicas, colégios e pais continuam a querer aulas presenciais, mas os sindicatos de professores redobraram a pressão para o fecho.

Juntam-se aos muitos médicos, como Maria José Brito, diretora de infecciologia do hospital de crianças Dona Estefânia, em Lisboa. Na terça-feira, na TVI24, revelou que defende o fim das aulas presenciais, até porque encontra nos mais novos "os tais assintomáticos" que propagam o vírus sem o saber. "Temos todos que ficar em casa. Todos", disse.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG