Impostos

Governo quer baixar impostos às empresas na próxima legislatura

Governo quer baixar impostos às empresas na próxima legislatura

O primeiro-ministro afirmou que tenciona apresentar "na próxima legislatura" uma medida para baixar impostos para as empresas e que permita conciliar "a criação de emprego" com "uma maior segurança no trabalho".

As palavras do chefe do Governo foram proferidas durante o debate quinzenal no Parlamento, depois da porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, ter criticado a descida do custo do trabalho em Portugal e de o ter questionado sobre os efeitos de uma descida de dois pontos na Taxa Social Única (TSU).

Passos Coelho afirmou que é intenção do Governo PSD/CDS "revisitar esse tema" na próxima legislatura, mas que não há "uma medida desenhada".

"Temos um objetivo que é o de conciliar o desagravamento contributivo para as empresas de modo a tornar mais atrativa a criação de emprego com a criação de mecanismos que assegurem uma maior segurança no trabalho e portanto um combate maior à precariedade, iremos apresentar a seu tempo uma medida que combine estas duas preocupações", declarou.

A líder do BE acusou Passos de respostas com "jogos de palavras" e contrapôs que a descida da TSU em dois pontos percentuais exige "a criação de 320 mil novos postos de trabalho".

"Vai-nos prometer a criação de 320 mil postos de trabalho ou de facto isto significa o mesmo de sempre? O Governo faz tudo para dar borlas às grandes empresas enquanto faz tudo para descer os salários em Portugal", acusou.

Catarina Martins considerou esta descida das contribuições para as empresas uma "ameaça a quem trabalha neste país" e advertiu que atualmente o "salário médio é de 581 euros", "menos de metade do da vizinha Espanha e muito menos de metade da média europeia".

A dirigente bloquista acusou o Governo PSD/CDS de prejudicar os trabalhadores no processo de desagravamento fiscal em relação às empresas do setor energético e de só ter uma resposta mesmo quando diz "que os cofres estão cheios": "Cortar, cortar, cortar".

Com alguma irritação, Passos Coelho afirmou que o executivo está "a repor salários já este ano" e "a baixar impostos já este ano" e defendeu que a redução dos custos do trabalho é necessária e deve ajustar-se ao crescimento.

"A sua denúncia que estamos a agravar a situação para os portugueses é falsa. A senhora deputada diz que os custos unitários do trabalho estão a descer, que escândalo, enquanto eles subiram acima da média da produtividade e dos nossos competidores externos o país endividou-se e perdeu competitividade", contrapôs.

No final do debate, quando Passos Coelho já não tinha tempo para responder, Catarina Martins pegou em cartazes com imagens de corredores e salas de espera de hospitais de uma reportagem recente da TVI sobre o Serviço Nacional de Saúde, motivando protestos da bancada do PSD. "Na saúde também há jogos de palavras e jogos de números", acusou, afirmando que "não é possível enganar toda a gente durante todo o tempo".

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