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Governo reúne-se hoje com epidemiologistas sob pressão para fechar escolas

Governo reúne-se hoje com epidemiologistas sob pressão para fechar escolas

As ministras de Estado e da Presidência e da Saúde reúnem-se com epidemiologistas esta quarta-feira, ao fim da tarde, numa altura em que aumenta a pressão para o encerramento das aulas presenciais do terceiro ciclo e do Secundário.

Fonte do Governo referiu à agência Lusa que esta reunião de Mariana Vieira da Silva e Marta Temido com os epidemiologistas que habitualmente participam nos encontros com o Governo, Presidente da República e partidos, no Infarmed, em Lisboa, antecede o Conselho de Ministros desta quinta-feira.

O primeiro-ministro, António Costa, que se encontra em Bruxelas, no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, reunir-se-á com as ministras de Estado e da Presidência e da Saúde logo após chegar a Lisboa esta noite. "Os números de hoje são particularmente dramáticos", reconheceu António Costa, que disse não poder hesitar em tomar as medidas necessárias para combater a pandemia.

"Todos sabemos hoje qual foi o custo social e de aprendizagem para as crianças do encerramento das escolas no ano passado. Está-se a falar da formação de um geração e este é um dano cujo preço pagaremos ao longo dos próximos tempos". Como tal, o primeiro-ministro disse, em Bruxelas, ser necessária calma para se avaliar os dados. Só depois tomar medidas.

Recusando tomar decisões sob pressão, "ainda há mas semanas a pressão era para reabrir os restaurantes", lembrou, Costa disse aguardar por análises que estão a ser feitas pelo Instituto Dr. Ricardo Jorge, para saber se pertencem à nova estirpe do novo coronavírus, que acelera o ritmo de transmissão. "Se a prevalência dessa estirpe for efetivamente relevante, aí, porventura, temos mesmo de tomar medidas que não tínhamos contado tomar".

Na terça-feira, durante o debate sobre política geral na Assembleia da República, António Costa admitiu a possibilidade de se proceder a um encerramento de escolas caso fique demonstrado que a variante inglesa do novo coronavírus, que é mais contagiosa, se está a tornar dominante nos estabelecimentos de ensino.

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"Neste momento, estamos a bater-nos para manter as escolas abertas, já que sabemos o enorme custo social que representa fechá-las. Na quarta-feira [hoje], vamos iniciar uma campanha de testes rápidos em todas as escolas, tendo em vista reforçar a segurança", disse em resposta ao presidente do Grupo Parlamentar do PSD, Adão Silva. Logo a seguir, no entanto, o líder do executivo advertiu que, "se esta semana se souber, por exemplo, que a estirpe inglesa se tornou dominante no país, então, muito provavelmente, terão mesmo de fechar as escolas".

Em relação a uma eventual suspensão das aulas presenciais, o Presidente da República indicou na terça-feira que no dia 26 deste mês haverá nova reunião com epidemiologistas no Infarmed, em Lisboa, e que nessa mesma tarde receberá no Palácio de Belém os partidos com representação parlamentar.

No entanto, face ao rápido crescimento diário do número de infetados, do número de internamentos e de óbitos em Portugal, dentro da direção do PS, assim como no Governo, admite-se já que esse calendário de decisão em relação às escolas possa ser antecipado.

De acordo com dados da Direção Geral da Saúde (DGS), Portugal registou hoje 219 mortes relacionadas com a covid-19 e 14.647 novos casos de infeção, os valores mais elevados desde o início da epidemia.

O número de internamentos está a subir desde 01 de janeiro, dia em que estavam internadas 2806 pessoas.
Em Portugal, morreram 9.465 pessoas dos 581.605 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da DGS.

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