Infeção

Grávidas não são grupo de maior risco nos casos de Covid-19

Grávidas não são grupo de maior risco nos casos de Covid-19

As grávidas não são consideradas um grupo de risco extremo no caso da Covid-19 e também não há qualquer caso confirmado de transmissão vertical da doença, de mãe para filho.

Dos casos de infeção detetados em grávidas em todo o mundo, "nenhum deles foi grave, não houve qualquer alteração para as grávidas e os bebés", esclarece Marina Moucho, diretora do serviço de urgência de Obstetrícia do Hospital de São João, no Porto. "Não constituem por isso nenhum grupo de risco à parte, ao contrário do que aconteceu com a Gripe A".

Em 2019, o serviço de urgência de Obstetrícia do São João tratou seis casos de "pneumonias gravíssimas", originadas pela Gripe A, "que obrigaram a cesarianas emergentes por causa do sofrimento do bebé que não recebia oxigénio".

Nesta nova doença, apesar de ter havido poucos casos de infeção de grávidas, e nenhuma morte registada, não há evidência de que exista transmissão vertical de Covid-19, ou seja de que o novo coronavírus seja transmitido de mães para filhos durante a gravidez.

A pouca literatura e o desconhecimento em relação à Covid-19 "deixa tudo no campo do parece", mas dos dados que se vão conhecendo não há registo de transmissão vertical, de mãe para filho, intrauterina. "A existir será durante ou após o parto", acrescenta a obstetra.

A 14 de março, foi detetado um caso de infeção de um recém-nascido em Inglaterra. O bebé foi testado minutos depois de nascer e o hospital de North Middlesex confirmou a doença, mas não é certo se o contágio aconteceu durante a gestação ou durante o parto.

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No caso de infeção, as grávidas correm maior risco porque uma pneumonia é sempre mais grave por ser uma mulher que "respira pior". No entanto, os casos de mortalidade têm-se verificado em faixas etárias mais avançadas. "Sobretudo a partir dos 60 anos, pessoas que já têm muitas outras coisas pequenas. A mortalidade acontece em pessoas com hipertensão, diabetes e patologias cardiovasculares e não em grávidas, que são jovens", explica Marina Moucho.

De acordo com a especialista não há para já também "qualquer advertência para parar de amamentar. As pessoas devem estar atentas mas não devem ficar preocupadas, não vamos ficar todos infetados".

Quanto aos sinais para os quais as grávidas devem estar alerta são os mesmos de todas as outras pessoas "febre, falta de ar e tosse".

Na lista dos cuidados a ter Marina Moucho deixa recomendações como "lavar as mãos, não andar aos beijinhos, festas de família só a dois, evitar aglomerações e passear ao ar livre, sem estar perto de muita gente". As grávidas com sintomas suspeitos devem telefonar para as autoridades competentes e "não devem correr para o hospital", por prevenção.

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