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Grupo de portugueses pede regresso das missas. Medidas anunciadas amanhã

Grupo de portugueses pede regresso das missas. Medidas anunciadas amanhã

Replicado por vários países do mundo, o apelo de grupos católicos pelo regresso das missas também chegou a Portugal. Recuperar a eucaristia é "essencial", defendem fiéis da Grande Lisboa. A Conferência Episcopal Portuguesa não comenta, mas garante "cautelas" na abertura de portas, com o anúncio de medidas na sexta-feira.

É num vídeo de cerca de minuto e meio que várias famílias, casais e jovens pedem aos bispos portugueses que retomem as missas presenciais, enquanto se disponibilizam para ajudar a Igreja na aplicação das medidas necessárias a um regresso em segurança. Dizem que os estabelecimentos e serviços entretanto reabertos ou em vias de reabrir são importantes, "mas não essenciais". "Recuperemos o mais importante: recuperemos a missa!"

A ideia - inspirada pelo vídeo espanhol que replicou uma iniciativa que correu mundo - surgiu na última semana de abril, "quando o Governo estava a ouvir os vários setores da economia e da sociedade" e ainda não tinha anunciado que as celebrações religiosas seriam retomadas no fim de maio. O objetivo foi "fazer ver aos bispos de Portugal que o povo de Deus estava com saudades de celebrar presencialmente a missa". "Por Internet, não é a mesma coisa. A oração pode-se fazer em todo o lado, mas a eucaristia só se pode celebrar com o sacerdote e nós tínhamos saudades disso", explicou ao JN Pedro Frazão, um dos participantes do vídeo, que "nasceu organicamente", sem mentores e de forma "colaborativa", juntando "familiares, amigos e amigos de amigos" da Grande Lisboa.

A iniciativa não recebeu resposta da Conferência Episcopal Portuguesa (à parte do comunicado sobre a retoma das celebrações), até porque "não foi dirigida oficialmente" ao organismo. "No fundo, queríamos só precipitar uma opinião publica entre os nossos amigos e sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, ia chegar aos bispos", acrescentou.

Embora já houvesse data para as missas presenciais no dia em que o vídeo ficou pronto, o grupo decidiu avançar mesmo assim, uma vez que agia com "boa intenção" e se colocava ao serviço da Igreja para colaborar. "O vídeo não era nenhuma forma de pressão sobre os bispos", garantiu o médico-veterinário de Cascais, apontando que todos os participantes concordam "a 100%" com a decisão "sensata e difícil" de aguardar até ao fim do mês, tal como concordam com a decisão de não incluir peregrinos na comemoração do 13 de Maio, que envolveria "muita gente" e uma logística "difícil".

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"O que queríamos mesmo era que houvesse missa, porque as igrejas são sítios controlados: pode-se controlar a entrada, pode-se desinfetar, pode até classificar-se as igrejas por metros quadrados, abrindo só as maiores... Era esse o objetivo", insistiu.

Como seria de esperar, a iniciativa foi alvo de várias críticas - "já sabemos que os assuntos religiosos nunca são pacíficos" -, mas, ainda assim, o retorno positivo foi maior. "A grande maioria das pessoas está connosco e percebe o que nós queremos. Claro que há sempre gente a gozar e a interpretar mal". Pedro Frazão, cientista de formação, dá o exemplo da frase que surge no fim do vídeo: "Seria mais fácil o mundo sobreviver sem o sol do que sem a Santa Missa", do Padre Pio. Provocou comentários negativos porque não foi lida como uma "frase poética, uma hipérbole". "Foi dita por um padre que amava muito a eucaristia. E nós quisemos fazer uma declaração de amor à eucaristia. Não é para ser entendida do ponto de vista científico", esclareceu.

Medidas anunciadas amanhã

Contactado pelo JN, o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa escusou-se a comentar o vídeo, dizendo apenas que todos os fiéis esperam a retoma das celebrações o mais rapidamente possível. Ainda assim, é preciso conter "ânsias" e haver "prudência" e "cautelas", disse genericamente o padre Manuel Barbosa, remetendo para sexta-feira o anúncio de medidas específicas sobre a retoma das missas comunitárias.

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