Reportagem

Guiomar, cigana, estuda em adulta para dar opções à filha

Guiomar, cigana, estuda em adulta para dar opções à filha

Guiomar Sousa regressou à escola 15 anos depois. A educação, sublinha, "é o primeiro passo para que as coisas mudem"

Guiomar Sousa, tem 38 anos, vive na Figueira da Foz, é bolseira do programa OPRE e está no 1.º ano de Ciências Sociais na Universidade Aberta. Define-se como "cigana, mãe e feminista" e nega ser "revolucionária". Um dos seus objetivos é que a filha, hoje com dez anos, "tenha a opção de escolha" de ingressar no Ensino Superior. Para os filhos, frisa, verem a mãe estudar "é normal".

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Saiu da escola aos 9 anos, após o 4.º ano. "Não questionei. Tudo à minha volta assim o dizia, apesar de gostar muito da escola". O regresso ao ensino aconteceu depois de casar e ser mãe. Candidatou-se ao rendimento social de inserção (RSI) e estudar foi um requisito para receber. Completou o 6.º ano com 26 anos, através de um curso EFA (Educação e Formação de Adultos) e, no final, uma frase de um professor mudou-lhe o rumo da vida: "Deu-me os parabéns e disse-me que se um dia quisesse entrar na universidade tinha todas as condições para o conseguir. Despertei".

Após o EFA, começou a trabalhar no projeto Escolhas como dinamizadora social, que também tinha como requisito a prossecução dos estudos. Conseguiu a certificação do 9.º e do 12.º através do programa Qualifica. E, assim que terminou o Secundário, fez os exames para maiores de 23 anos e candidatou-se à universidade, "uma ambição antiga". "Sonho, não", explica, porque em criança nem sequer tinha a noção de que essa podia ser uma opção.

"A educação é o mais importante. É o primeiro passo para que as coisas mudem. Temos que estar aptos", insiste.

Tem dois filhos, um rapaz de 18 e uma menina de dez. Para eles, é normal estudar e verem a mãe estudar. "A decisão será dela, mas gostava muito que tivesse gosto e seguisse para a universidade. Quero que pense nesse objetivo como uma opção natural, que tenha essa escolha que eu não tive".

A bolsa da OPRE, que no seu caso (inscrita em seis cadeiras) ronda os 700 euros mensais, "é fundamental" para tirar a licenciatura. Sem esse apoio, "seria impossível".

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