"Ponto de Transição"

Gulbenkian ajuda famílias a combater pobreza energética

Gulbenkian ajuda famílias a combater pobreza energética

A fundação Gulbenkian lançou um projeto para ajudar a combater a pobreza energética em Portugal, através do aconselhamento das famílias sobre como melhorar o conforto térmico das suas casas e de avaliações energéticas gratuitas nas habitações. Setúbal será o primeiro concelho a receber o projeto-piloto, mas o apoio poderá vir a ser replicado noutros concelhos.

O projeto-piloto "Ponto de Transição" arranca no dia 17 de fevereiro, em Setúbal, onde será instalado um contentor marítima que servirá como posto de informação. O pré-fabricado ficará junto ao mercado 2 de abril, na freguesia de São Sebastião, e contará com uma equipa de técnicos "para prestar informações relativas à forma de melhorar o conforto térmico das habitações". É o caso da redução de despesas com energia, a melhoria da eficiência energética nas habitações, o aconselhamento sobre financiamentos existentes e o apoio ao preenchimento de candidaturas.

A par do espaço de informação, o projeto assenta ainda em mais dois eixos. Um deles serão as ações de proximidade, que incluem avaliações energéticas gratuitas das habitações e a identificação de melhorias. Outro é a capacitação das famílias, através da "formação em conceitos básicos sobre energia, contabilidade energética, tipos de equipamentos consumidores de energia no setor residencial e boas práticas na utilização de energia".

O projeto-piloto, que decorrerá em Setúbal entre 17 de fevereiro e 30 de junho, poderá vir a ser replicado noutros concelhos. O objetivo, afirma a Gulbenkian, é "contribuir para uma melhor eficiência energética e um maior conforto térmico nos lares portugueses". Até porque "Portugal é o quarto país da União Europeia com mais população a reportar incapacidade de aquecer a casa no Inverno, e o segundo a viver em habitações desconfortáveis no verão". Feitas as contas, cerca de 1,9 milhões de portugueses não conseguem aquecer a casa nos meses mais frios, enquanto que 3,7 milhões sofrem com o calor nos meses quentes.

"Portugal tem um lugar de destaque no ranking europeu de pobreza energética, com muitos dos seus habitantes a viver em casas muito frias no inverno ou muito quentes no verão, em habitações com infiltrações, humidade ou problemas de qualidade do ar interior", refere a Gulbenkian, em comunicado.

De acordo com a fundação, a falta de conforto térmico deve-se a "uma combinação de fatores". Destacam-se os baixos rendimentos das famílias, o "custo elevado da energia" e o "baixo desempenho energético das habitações".

A Gulbenkian recorda que "a pobreza energética não afeta apenas o bem-estar", mas também a saúde dos portugueses. "Um quinto da população vive em casas com infiltrações ou problemas de humidade, que são potenciadores de problemas respiratórios como a bronquite, a pneumonia ou a asma", frisa a fundação, sublinhando ainda que "Portugal regista taxas de excesso de mortalidade no inverno muito superiores a países do Norte da Europa como a Finlândia e a Suécia".

PUB

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG