Frio

Há dez anos que não se consumia tanta energia

Há dez anos que não se consumia tanta energia

O frio gélido dos últimos dias fez disparar o consumo de eletricidade e de gás natural. O pico diário foi atingido esta terça-feira e na luz bateu-se um recorde de 10 anos.

De acordo com um comunicado da REN (Rede Elétrica Nacional), divulgado esta quarta-feira, os "consumos de gás natural e eletricidade em Portugal atingiram máximos tanto a nível de pico como de consumo diário". "O novo pico máximo de consumo de eletricidade foi atingido às 20 horas do dia de ontem [terça-feira], com 9546 MW, superando o anterior máximo de 9403 MV, que datava de 11 de janeiro de 2010".

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Relativamente ao gás natural, "os anteriores máximos de ponta e consumo diário foram ultrapassados em cerca de 10%. O anterior pico máximo de 13539 MW, atingido a 7 de janeiro de 2020 foi superado pelos 14 862 MW registados às 20 horas do dia de ontem. O consumo diário atingiu 298,9 GWh, superando o anterior máximo de 5 de dezembro de 2017, com 269,9 GWh", especifica a REN.

O frio já provocou, aliás, uma corrida à compra de aquecedores. A cadeia de lojas Leroy Merlin, por exemplo, já confirmou ao JN o aumento da procura nos últimos dias "em média superior a 50%", especialmente nos aquecimentos em biomassa (recuperadores e salamandras), móveis, elétricos, fixos ou aquecimento central. O El Corte Inglés tem tido um "crescimento exponencial" o que já levou ao reforço de stock de alguns artigos. Os mais procurados são os aquecedores a gás e radiadores a óleo.

O país está em alerta amarelo. As baixas temperaturas, cujos mínimos podem cair abaixo dos -6ºC em algumas regiões do interior, devem manter-se, pelo menos, até ao fim de semana. A partir de sexta-feira, no interior Norte e Centro, pode nevar em "zonas pouco habituais", abaixo dos mil metros de altitude, prevê o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

O frio agrava as condições de atendimento nos hospitais, já pressionados com a subida do número de casos de covid-19.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) advertiu, aliás, esta quarta-feira que "é provável" que as baixas temperaturas tenham repercussões sobre a mortalidade nos próximos dias, nomeadamente nos idosos, recomendando medidas para evitar os efeitos negativos do frio na saúde.

Para evitar os efeitos negativos do frio na saúde, a DGS recomenda à população "evitar a exposição prolongada ao frio e mudanças bruscas de temperatura", para "manter o corpo quente, utilizando várias camadas de roupa", proteger as extremidades do corpo com luvas, gorro, cachecol, meias e calçado quente e antiderrapante, e manter a hidratação, ingerindo sopas e bebidas quentes e "evitar o álcool, que proporciona uma falsa sensação de calor". Alerta também para a necessidade de prestar atenção aos grupos mais vulneráveis, nomeadamente crianças nos primeiros anos de vida, doentes crónicos, pessoas idosas ou em condição de maior isolamento, trabalhadores que exerçam atividade no exterior e pessoas sem-abrigo.

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