Greve dos professores

Há escolas fechadas e outras a meio-gás de norte a sul do país

Há escolas fechadas e outras a meio-gás de norte a sul do país

"Em muitos locais, de norte a sul do país, há muitas escolas fechadas e a meio-gás. Esta greve está a superar todas as nossas expectativas. Há muitos colegas surpreendidos pela mobilização", afirma André Pestana, coordenador do Sindicato de Todos os Professores (S.TO.P), que deu início, esta sexta-feira, a um protesto por tempo indeterminado.

"Esta greve é diferente das habituais, estamos a apelar aos professores para estarem à frente das escolas para explicar os motivos desta greve, até aos pais, porque esta greve é pela defesa da qualidade de ensino. Há um grande despertar nacional. Finalmente a classe docente está-se a erguer depois de muitos anos oprimida, explorada, roubada, desprestigiada", sustenta o dirigente ao JN, falando do descontentamento da classe.

Questionado sobre as escolas, cujo funcionamento foi afetado pela paralisação, André Pestana promete, para o final do dia, uma lista mais completa. Para já, dá exemplos: "A Escola de Oliveira do Bairro, Aveiro; o Agrupamento de Escolas de Vialonga; a Escola Básica N.º 1 de Rebordosa, Agrupamento de Escolas de Vilela, Paredes, a EB 2/3 Santa Marinha, em Vila Nova de Gaia; o Agrupamento de Escolas da Pontinha; a Escola Básica Almeida Garrett, na Amadora; a Escola Básica e Secundária de Ourém; a EB1 de Telheiras, em Lisboa, está encerrada; a Escola Básica Dr. Vasco Moniz (1.º e 2.º ciclos) do Agrupamento de Escolas Alves Redol, em Vila Franca de Xira, está encerrada". Na página de Facebook do S.TO.P São citados mais exemplos, como o da Escola Básica de Castelo de Paiva, com quase todos os docentes em greve, e o da EB 2/3 Fernando Pessoa, em Lisboa, que está encerrada, ou do Agrupamento de Escolas de Carmen Miranda, no Marco de Canaveses, também alegadamente fechado. Na Escola Secundária de Paços de Ferreira, 17 professores fizeram greve ao primeiro turno, mas, entretanto, está a funcionar normalmente.

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"É um grande sucesso um pouco por todo o país. É uma grande luta nacional que vai continuar para a semana", sentencia o coordenador sindical que denuncia ainda uma situação.

"Na EB 2,3 Valadares, em Vila Nova de Gaia, apenas um professor não fez greve e centenas e centenas de alunos entraram na escola e ficaram à chuva, uma total irresponsabilidade da direção da escola, que não a encerrou", alega. Posteriormente, em comunicado enviado ao JN, o coordenador do S.TO.P esclareceu ter sido "informado que a diretora deu indicação para que os alunos permanecessem no polivalente da escola para se abrigarem da chuva".

André Pestana apela ao Ministro da Educação que tenha "bom senso e pense nos alunos". "Há milhares e milhares de alunos que estão sem aulas a uma ou mais disciplinas", uma situação que se arrasta nos últimos anos e que os prejudica. "Isso é fruto das políticas educativas que têm atacado os profissionais de educação e que levam professores e educadores a abandonar o ensino e a ir para posições mais apetecíveis em termos económicos, sem tanta burocracia, sem stress, e também afastam os mais jovens da escolha da profissão", sentencia o sindicalista. A par disso, há professores sem "as devidas habilitações profissionais" a dar aulas.

"É como ser operado por um médico que não tem a especialidade de cirurgião. Não podemos aceitar isto. Estamos a falar do futuro do país", critica.

Sustenta ainda que "os professores perderam, desde 2009, mais de 20% do poder de compra, o que é muito significativo". Uma das reivindicações passa pelo aumento do salário.

Recorde-se que esta greve nacional acontece numa altura em que o Ministério da Educação está em negociações com os sindicatos, que se têm mostrado contra a maioria das propostas da tutela. Os outros sindicatos de professores não aderiram à paralisação, mas agendaram uma manifestação para março de 2023 e vigílias em vários pontos do país. O S.TO.P tem ainda agendada uma grande manifestação a 17 de dezembro, em Lisboa.

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