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Há hospitais a remarcar consultas para 2021

Há hospitais a remarcar consultas para 2021

Médicos e administradores hospitalares querem plano "arrojado" e bem integrado na recuperação da atividade. Instituições mantêm metas arrojadas.

Há hospitais que estão a reagendar consultas canceladas por causa da covid-19 para 2021. Outros ainda não começaram a convocar os doentes de prioridade normal, que, antes da pandemia, já aguardavam há meses por resposta. Como vão os hospitais recuperar o trabalho em atraso de março e abril? Ordem dos Médicos e administradores hospitalares não acreditam que consigam fazê-lo sozinhos e pedem à tutela um plano arrojado e integrado. "Adiar consultas por seis meses ou mais desacredita o sistema", avisam.

O JN sabe que um doente do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa recebeu esta semana uma carta a reagendar para maio do próximo ano uma consulta do sono cancelada no mês passado devido à covid-19. No Hospital de S. João, no Porto, boa parte das consultas de Urologia estão por reagendar porque primeiro têm se ser vistos os doentes prioritários.

"Como consigo recuperar centenas de doentes que não foram vistos nestes dois meses e, ao mesmo tempo, receber os das primeiras consultas, se só posso marcar seis por dia [menos de metade]?", questiona o bastonário dos Médicos. Urologista no S. João, Miguel Guimarães refere que, para a sua consulta, os doentes de prioridade normal ainda não estão a ser reagendados. Se fossem marcados agora, só teriam vaga em 2021. "Temos de tentar encaixá-los antes".

Menos 51 mil cirurgias

António Taveira Gomes, presidente da ULS de Matosinhos (integra o Hospital Pedro Hispano), não esconde que será "muito difícil" chegar ao fim do ano com a atividade prevista realizada, mesmo sem nova vaga de covid-19. E admite: "Em muitas áreas de atividade não poderemos falar de recuperação, pois nem o volume diário de atividade anterior à covid-19 vamos conseguir fazer". Outros hospitais ouvidos pelo JN mantêm metas "ambiciosas".

Esta semana, a ministra da Saúde revelou que, entre janeiro e abril, os hospitais públicos realizaram menos 540 mil consultas de especialidade e menos 51 mil cirurgias do que no mesmo período de 2019. Marta Temido mostrou-se preocupada, mas deu a entender que cada instituição terá de fazer o seu caminho para recuperar o atraso.

Miguel Guimarães admite estar preocupado por não ver "um plano objetivo para recuperar os atrasos e dar seguimento a doentes novos". O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares diz que "a atividade perdida não é recuperável" e que "individualmente os hospitais não têm capacidade para voltar à era pré-covid".

Alexandre Lourenço defende "um plano arrojado" e integrado com hospitais, cuidados primários e cuidados extra-hospitalares. "A retoma exige liderança e incentivos" e pode ser uma boa oportunidade para o SNS recuperar recursos que perdeu nos últimos anos. Sem eles, dificilmente conseguirá aumentar muito a sua capacidade de produção.

METAS

S. João "ambicioso"

Em março e abril, o hospital de S. João reduziu a atividade programada em mais de 40%. Os objetivos são agora, admite o hospital, "muito ambiciosos": chegar ao fim do ano sem doentes a aguardar por cirurgia há mais de 12 meses e por consulta há mais de nove meses.

Agosto é meta de Gaia No hospital de Gaia perderam-se 1518 cirurgias e 52 525 consultas entre março e abril. A administração quer recuperar a atividade que ficou por fazer até fim de agosto.

Matosinhos acelera

No hospital de Matosinhos, até 11 de maio ficaram por fazer 1875 cirurgias (já agendadas mais de 500), e 18 mil consultas (mais de 5 mil marcadas). A trabalhar sempre que possível até à meia-noite, sábados e domingos, o objetivo é chegar ao fim do ano com a atividade prevista realizada.

Santa Maria recupera

Das 27 mil consultas suspensas até 11 de maio no Centro Hospitalar Lisboa Norte (inclui Santa Maria), cerca de um terço já foram reagendadas e as restantes serão em junho. Quanto às 2.000 cirurgias adiadas, o hospital diz que serão feitas até meados de julho.

Penafiel corta espera

O Centro Hospitalar Tâmega e Sousa desmarcou 2169 cirurgias e 14 399 consultas. O objetivo é chegar ao fim do ano com listas de espera (cirurgia ou consultas) com um máximo de 9 meses.

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