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Há mais jovens adultos a pedir ajuda ao INEM

Há mais jovens adultos a pedir ajuda ao INEM

Os jovens adultos a partir dos 20 anos estão a recorrer mais ao Centro de Apoio Psicológico e Intervenção (CAPIC) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

No final de março, quando se iniciaram as medidas de confinamento, e primeira quinzena de abril, verificou-se uma inversão nas faixas etárias que recorrem ao serviço, revelou ao JN a psicóloga Sónia Cunha, responsável por este departamento.

"A maioria dos utentes tem entre 40 e 49 anos. Mas, no ano passado, esta faixa etária era seguida pela dos 50 aos 59 anos", contou. Desde que a covid-19 começou a afetar o dia a dia dos portugueses, a segunda faixa a procurar mais o aconselhamento dos psicólogos tem entre 20 e 39 anos.

"São os que têm uma perspetiva mais pessimista, mais preocupada, com mais medo. Que se calhar aderiram mais até ao confinamento". Já as pessoas entre os 50 e os 59 anos "estão a reagir com menos impacto nas suas rotinas" o que pode ajudar a diminuir as "manifestações no foro da saúde mental".

A média diária de situações em que o CAPIC intervém é de 47 chamadas, as mesmas que em abril do ano passado. Em janeiro deste ano, foram 49. "Estamos a assistir a um aumento gradual. Desde o início de abril que é muito constante", embora haja situações que não são registadas por não haver uma "intervenção ativa".

Sobrevivência primeiro

Na opinião da psicóloga, este número só agora poderá aumentar porque até aqui as pessoas estiveram "muito focadas nas resoluções práticas, de sobrevivência". Só depois "de sentirmos que a situação está mais controlada é que surgem as reações emocionais. Às vezes, estes fenómenos são dilatados no tempo e os efeitos vão surgindo".

Na primeira quinzena de abril, o centro registou 258 comportamentos suicidários. No mesmo período do ano passado, tinham sido 340. A maioria destes 258 foram de menor gravidade: casos de ideação suicidária na qual a morte está apenas na esfera do pensamento.

Os apelos são variados: desde pais preocupados com os mais novos, o que já acontecia anteriormente, mas agora devido a "momentos de maior tensão no seio familiar" e também com a gestão do "medo nas crianças"; até à forma como gerir a morte e o luto de um ente querido e qual a melhor forma de o anunciar.

Casos encaminhados

As chamadas chegam via 112 ou linha SNS 24. "Uma pessoa que já tenha depressão é natural que vá agudizar aquele quadro", explicou a psicóloga Sílvia Campino, que trabalha na delegação de Lisboa.

Os casos são encaminhados para os cuidados de saúde primários, que dispõe de acompanhamento psicológico ou, em situações mais graves, para as urgências hospitalares de psiquiatria.

Também acompanham a "gestão emocional" dos próprios profissionais do INEM, que estão a passar por "fatores de stress acrescidos". Desde a utilização dos equipamentos de proteção individual, que requerem cuidado redobrado, ao distanciamento das famílias por medo de os contagiar.

Nem para os próprios psicólogos a gestão é fácil porque tendem a identificar-se com as situações relatadas.

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