Reportagem

"Há pessoas com receio mas muitas querem vir à igreja"

"Há pessoas com receio mas muitas querem vir à igreja"

A partir de sábado, as celebrações voltam aos templos. Na Trofa, o padre Bruno Ferreira rezou pela última vez com a igreja vazia.

Há fitas de tecido em todos os bancos: verdes atadas nas costas de uns, vermelhas atravessadas nas extremidades de outros tantos, estas a impedir o acesso aos assentos proibidos. Banco sim, banco não. Sempre as duas cores intercaladas, ao longo das duas filas de bancos que se espraiam vazias, a ampliar a voz afinada do padre Bruno Ferreira no eco da igreja projetada pelo arquiteto italiano Nicolau Nasoni para Santiago de Bougado, na Trofa.

As tiras em tecido são os primeiros indícios de que a reabertura do templo aos fiéis se aproxima. E quando as portas se abrirem, no próximo sábado, com a capacidade da igreja bastante encolhida - a lotação de quase 280 passa para um máximo de 60 pessoas -, há de haver mais diferenças à vista dos paroquianos que acorrerem à "primeira missa aberta", às 20 horas, para aquietarem as "muitas saudades" que durante o confinamento foram confessando ao jovem pároco de Santiago, de 34 anos.

"Vamos ter, à porta, dispensadores de álcool-gel e máscaras, que disponibilizamos a quem não trouxer", adianta o padre, que, ao início da tarde de ontem, dia da semana em que "a igreja estava sempre cheia", celebrou mais uma eucaristia à porta fechada mas transmitida em direto através da página de Facebook da paróquia e da TrofaTv.

Outra novidade será a instalação de um sistema de som no exterior, adianta o sacerdote: "As pessoas que não possam entrar, porque a igreja ficou cheia, podem ficar lá fora, mantendo sempre a distância de segurança, e acompanhar a transmissão auditiva".

Missas sempre em direto

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Em simultâneo, a paróquia pretende continuar, como fez durante o período em que a igreja esteve encerrada, com as transmissões em direto de todas as missas, já que "95% a 98% [dos fiéis] disseram que sim" à pergunta da sondagem lançada no Facebook: "Acha que a paróquia deve continuar as transmissões online depois do reinício das celebrações comunitárias?".

"Os idosos que antigamente não conseguiam vir, por razões de saúde, começaram a ver [as missas] porque os netos lhes mostravam", justifica o pároco, que anuncia: "Futuramente, vamos adquirir um conjunto de câmaras para podermos transmitir para as pessoas que não possam sair".

"A nossa preocupação é poder proporcionar, através dos meios de comunicação social, a possibilidade de chegar a casa das pessoas, e ao maior número de pessoas", explica o padre Bruno Ferreira, que não descura a "qualidade", e transmite com "bom grafismo e bom som" graças aos dotes tecnológicos do secretário paroquial, Diogo Gomes, que "faz como fazem as televisões, com notas de rodapé e slogan".

Com médias de "três mil visualizações", o "feedback é muito bom", reconhece o pároco, que, embora note "pessoas receosas", observa que "muita gente tem vontade de vir [à igreja]".

REGRAS

Grupos de risco

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) aconselha "fiéis pertencentes a grupos de risco a não frequentar a missa dominical", sugerindo antes que assistam às celebrações "durante a semana, em que há menos fiéis".

Famílias juntas

Os primeiros fiéis a entrar na igreja devem sentar-se nos lugares mais afastados da porta de entrada. Durante a missa, famílias ou pessoas que vivem na mesma casa podem permanecer juntas.

Distância

A distância mínima de segurança deve ser respeitada, de "modo a que cada fiel disponha, só para si, de um espaço mínimo de quatro metros quadrados". A regra "não se aplica a pessoas da mesma família ou que vivam na mesma casa".

Desinfeção

Quem quiser aceder às igrejas, deve desinfetar as mãos à entrada, com recurso aos dispensadores que serão disponibilizados. É obrigatório usar máscara.

Ar livre

A CEP refere que, desde que esteja bom tempo e existam espaços adequados, pode celebrar-se ao ar livre, cedendo os lugares sentados às pessoas mais velhas.

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