Cidadania

Há um site que reproduz (sem gaguez) os discursos de Joacine

Há um site que reproduz (sem gaguez) os discursos de Joacine

Um projeto criado por um jovem de 23 anos retira o impacto e a importância da gaguez nas intervenções de Joacine Katar Moreira. O site semgaguez.pt transcreve na íntegra as ideias da deputada do Livre. O criador quer prestar um serviço à democracia.

A gaguez de Joacine Katar Moreira continua a não ser indiferente à maioria das pessoas que escute as intervenções da deputada do Livre no Parlamento. Para acabar com o estigma, João de Sousa, de 23 anos, criou o site semgaguez.pt, que reproduz por escrito os discursos da investigadora de 37 anos.

"O tempo e lugar para discutir se a existência dessa condição [gaguez] deveria ser uma condicionante foi durante o período eleitoral", explica o estudante de Estudos Europeus da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

O jovem considera "urgente" começar-se a discutir "o conteúdo das intervenções da deputada". Isto serve para quem apoia ou votou em Joacine nas eleições legislativas, no passado dia 6 de outubro, como para quem não se revê nas ideias do Livre.

Joacine já entrou em contacto com o criador do site através da rede social Twitter. "Mandou-me mensagem, congratulando o projeto por se querer focar no conteúdo e não na forma", adianta o jovem ao JN.

O feedback não foi todo ele fácil de digerir ou simpático para o estudante universitário. "Homem branco vem em salvação da donzela preta" foi um dos comentários negativos que recebeu na caixa de correio.

"Independentemente das minhas opiniões pessoais, o projeto vive da sua imparcialidade", esclarece João de Sousa, salientando o "desapego" a qualquer movimento ou partido político.

Pedro Nunes Rodrigues, membro da direção do Livre afirmou ao JN que Joacine "adorou a espontaneidade" da plataforma e não o encarou como "uma diferenciação negativa" face aos outros colegas do hemiciclo.

O site vive para já apenas do trabalho de João de Sousa. "Tenho um emprego a tempo inteiro e uma licenciatura para terminar, poderá ser necessário alguma ajuda", confessa ao JN.