Lisboa

Horas de angústia no aeroporto: "Nunca mais voo na TAP"

Horas de angústia no aeroporto: "Nunca mais voo na TAP"

No aeroporto de Lisboa, o domingo foi mais calmo do que a véspera, apesar do cancelamento de 321 dos 515 voos previstos para hoje no aeroporto de Lisboa, segundo a ANA - Aeroportos de Portugal, devido à greve dos trabalhadores da Groundforce. Há passageiros que lá estão desde sexta-feira a tentar arranjar soluções e muitas queixas do atendimento da TAP.

Sekou Traoure, natural da Guiné, está no aeroporto desde sexta-feira à noite. Tinha um voo da Guiné para a Alemanha pela TAP,. Com escala em Lisboa, e viu a sua ligação cancelada. " A TAP não me pagou nada, não pagou hotel nem comida, nem o novo teste à covid-19. Tive que lavar a roupa à mão para estar limpo e dormir no aeroporto". Sekou afirma que é a última vez que voa pela TAP. O seu amigo que voou da Guiné pela AirFrance, fazendo outra escala, já está no seu destino, a Alemanha, onde vive e trabalha.

Israel Carlos e Fernanda Carlos têm um filho de nove anos e esperaram cinco horas para fazer um novo teste à covid19. Gastaram 130 euros nos três testes. Devido ao cancelamento do voo de sábado para o Brasil vão perder os compromissos que agendaram para segunda-feira, bem como as ligações, insurgindo-se com o facto de a TAP alegar que não tem que os reembolsar por estar em causa uma greve da Groundforce. "Eu não compro a passagem com terceiros. Comprei com a TAP por isso é a TAP que tem que assegurar", afirma Israel Carlos. A família calcula que só conseguirá ter voo na segunda ou terça -feira, que é demasiado tarde para os seus compromissos.

Elizabeth Ruest e Eric Labrie, um casal canadiano do Quebeque, viram o seu voo de ligação para Atenas pela TAP ser cancelado no sábado às 10.25 horas. Passaram várias horas no aeroporto, em filas e em chamadas telefónicas para a TAP. Elizabeth e Eric tomam medicação diária que tinham na mala de porão: ela para a tiroide, Eric para o coração. Não tinham forma de comprar tais medicamentos sem receita e acusam uma funcionária da TAP de insensibilidade. "Vá a uma farmácia e compre", ter-lhe-ão dito, alegando que as malas não podiam sair do avião.

Este domingo, depois de cinco horas na fila, conseguiram que a TAP remarcasse os seus voos para Atenas pela AEGEAN, nos dois últimos bilhetes daquele voo, à uma da manhã de segunda-feira. "Ficamos num hotel aqui perto esta noite, mas estou certa que a TAP vai pagar, tem que pagar", diz Elizabeth, que visitou Portugal pela segunda vez, tendo gostado muito do país. Mas para Eric, pela primeira vez na Europa, foi um choque este problema no aeroporto.

Kevin Valencia tinha um voo de Lisboa para Nova Iorque, com ligação por Amesterdão, na TAP. Viu o seu voo cancelado, no sábado, e a única solução que a TAP lhe ofereceu foi um voo de ligação para terça-feira, o que seria demasiado tarde. Depois de aterrar em Lisboa, sábado de manhã, pelas 9 horas, vindo de Barcelona, esteve duas horas fechado no avião quase sem informações. Kevin acabou por comprar um novo bilhete seu bolso pela Transavia para ir para Amesterdão ainda no domingo e depois tentar resolver a situação a partir de lá. "Estive cá de férias e foi incrível mas este aeroporto não me dá muita vontade de regressar", lamentava. Kevin teve de pagar novos testes à covid-19, uma noite no hotel e não tem garantias de vir a ser reembolsado. No total, gastou mais 200 euros do que era previsto.

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Outros tiveram mais sorte

Mais sorte tiveram outros passageiros que voavam em companhias que são operadas pela Portway. Manuela António e Dominga Almeida iam voar pela TAAG para Angola, um voo assegurado pela Portway, pelo que sofreram os efeitos da greve da GroundForce. Andreia Prata e André Lima, com dois filhos, também iam para Luanda no mesmo voo da TAAG. "Informámo-nos com a companhia antes de vir para o aeroporto, mas percebemos que estava tudo bem porque era a Portway que trata das malas". O casal afirma voar sempre pela TAAG por ter voo direto do Porto. Vieram para Lisboa desta vez mas foi uma exceção.

Elisa Lopes, cabo-verdiana, médica viu o seu voo das 9h da manhã de sábado, para a cidade da Praia, em Cabo Verde, ser cancelado. Teve que fazer outro teste à covid-19 do seu bolso. Diz que no sábado esteve no aeroporto desde as 7 horas da manhã quase sem informações até ao fim da tarde. Tinha já consultas médicas marcadas em Cabo Verde, mas teve que cancelar todos os pacientes. "Estive duas horas a tentar ligar para TAP e depois desligam, hoje vim cá fazer o teste para voar na segunda-feira", sem ter garantias de que o consiga fazer.

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