Investigação

Hormona dos ossos pode ajudar a tratar arritmias  

Hormona dos ossos pode ajudar a tratar arritmias  

Descoberta, publicada esta quarta-feira na revista "Nature", contou com colaboração de investigadora portuguesa.

A investigadora portuguesa Lúcia Moreira, a fazer doutoramento na Universidade de Oxford, no Reino Unido, é uma das autoras do artigo publicado, esta quarta-feira, na revista científica "Nature", que demonstra que a hormona que ajuda a regular a massa óssea também é produzida pelo coração. A descoberta, que resulta de uma pesquisa financiada em parte pela British Heart Foundation (BHF), "abre caminho a novos tratamentos para arritmias", disse a investigadora ao JN. Estima-se que 9% dos portugueses com mais de 65 anos sofre de fibrilação auricular, a forma mais comum de arritmia.

Até agora, pensava-se que a hormona calcitonina, que ajuda a regular a massa óssea e também a reduzir o tecido cicatricial nas aurículas do coração, era produzida apenas pela glândula tiroide. A pesquisa, porém, revelou que as células das cavidades superiores do coração produzem, aproximadamente, 16 vezes mais calcitonina do que as células da tiroide. A informação é relevante porque o referido tecido cicatricial dificulta a passagem dos impulsos elétricos e pode desencadear fibrilação auricular.

A equipa, que juntou investigadores da Universidade de Montreal, do Baylor College of Medicine nos EUA e da Universidade de Melbourne, descobriu, também, que o recetor de calcitonina está presente nas células auriculares responsáveis pela produção de colagénio, um dos principais componentes do tecido cicatricial. Quando a equipa tratou essas células com calcitonina, elas produziram 46% menos colagénio.

Os investigadores esperam que esta nova hormona do coração e seu recetor possam ajudar a desenvolver novos tratamentos cardíacos. Svetlana Reilly, a professora da Universidade de Oxford que liderou o estudo, disse à BHF que a "calcitonina e o seu recetor podem ser a peça importante que faltava no quebra-cabeça da fibrilação auricular. Agora precisamos de explorar como podemos usar esta hormona para tratar pessoas com fibrilação auricular e entender quando seria o melhor momento para tratar alguém".

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