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Hortas particulares. "Saio revigorada e com frescos de outra qualidade"

Hortas particulares. "Saio revigorada e com frescos de outra qualidade"

Recurso a hortas particulares é uma realidade que veio aliviar as carteiras.

Natália Gonçalves sabe bem o que é contar com uma horta particular para se poder abastecer de produtos básicos em casa. A do seu sogro, às portas de Rio Tinto (Gondomar), há vários anos que é quase como se fosse sua também. "Quando lá vou é como se entrasse noutro mundo. Saio revigorada e com frescos de outra qualidade. E gratuitos, claro", diz esta moradora de 48 anos, residente na zona de Asprela, no Porto. "Tomates, couves, feijões, favas, cenouras, batatas, tudo vem dessa horta. Representa uma poupança de dezenas de euros por mês", considera.

O recurso a espaços particulares de cultivo não é para ela novidade. Mas ganhou novo sentido desde que a inflação trouxe o brutal aumento dos preços básicos dos hortícolas disponíveis para venda em espaços comerciais. "A minha sorte é que posso contar com essa opção, é quase uma bênção. Se não fosse assim, os gastos eram bem maiores e não sei como seria a minha vida, porque os legumes estão caríssimos nos supermercados", diz Natália Gonçalves.

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José Gonçalves, 74 anos, também tem a sorte de poder contar com uma horta de um familiar onde se abastece de produtos básicos. "Nota-se bem a diferença na qualidade e sabor do que é trazido. Além de que numa altura que estamos a atravessar é uma ajuda importantíssima", considera este reformado de uma vida laboral nas artes gráficas, também residente em Paranhos. "Há um ano, um quilo de maçãs custava cerca de um euro, agora está quase ao dobro", exemplifica.

Para José Gonçalves, seria "importante" criar mais hortas comunitárias que pudessem estar acessíveis à população em geral. Já existem às dezenas na Área Metropolitana, mas "em tempos difíceis como os da atualidade teriam outra utilidade e fomentariam um espírito diferente de comunidade entre todos".

Só no Porto são 13 as hortas municipais dispersas por vários pontos da cidade, a maior delas em Campanhã, com 99 talhões individuais espalhados por uma área de 4200 metros quadrados. Fazem parte do projeto "Horta à Porta" e têm como compromisso, para lá do usufruto por parte dos munícipes, uma componente ambiental, com os seus 400 compostores a permitirem anualmente a devolução ao solo de 120 toneladas de matéria orgânica. Espaços que agora ganham novo sentido.

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