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Hospitais de campanha devem fechar em julho

Hospitais de campanha devem fechar em julho

Dentro de um campo acostumado a assistir a glórias do basquetebol, há três filas de camas e circuitos marcados no chão.

O hospital de campanha na Arena Dolce Vita de Ovar vive uma aparente calma, sem novos doentes há dias. As portas fecham no final de julho, na mesma data que o hospital criado no Pavilhão Rosa Mota do Porto. Em Lisboa, a estrutura montada no Estádio Universitário não tem data de fecho.

No "Anjo d"Ovar", como os vareiros o batizaram, o trabalho continua. Com o Hospital Dr. Francisco Zagalo a recuperar a atividade normal, os doentes covid-19 estão a ser internados exclusivamente ali. "Não temos pressão de internamento. Temos vagas, esperemos que não se ocupem", adianta a médica Júlia Oliveira, responsável clínica do hospital de campanha. Em campo, há 38 boxes, com camas articuladas, monitores de sinais vitais, oxigenoterapia, raios X. Há médicos e enfermeiros vestidos da cabeça aos pés, em turnos de 12 horas, numa nova normalidade.

É o único do país apetrechado para acudir doentes que dependem de medidas de suporte. Abriu a 13 de abril pelas mãos da Câmara, ARS Centro e do hospital de Ovar que assumiu a responsabilidade técnica. Chegou a um terço da ocupação, agora tem dez doentes. "Estamos na fase das altas", diz a médica.

Para ali, o hospital de Ovar contratou 15 médicos, a ARS chamou 19 enfermeiros, a Câmara contratou 21 assistentes operacionais. Uns em prestação de serviços, outros têm contrato de quatro meses. E há voluntários a dar apoio na farmácia e nas refeições. "A perspetiva é manter até final de julho", explica Júlia. Depois, será criada uma resposta mais pequena, para o possível crescimento de casos.

10% de ocupação no Porto

No Porto, que abriu o hospital de campanha ao mesmo tempo, a data de fecho é igual: 31 de julho. A estrutura criada no Pavilhão Rosa Mota tem 320 camas, 10% estão ocupadas. Tem cuidados médicos básicos, para desafogar os hospitais do Porto. Lisboa também criou um hospital de campanha, em março, no Estádio Universitário. Um mês e meio depois, não foi utilizado. "Felizmente, até agora não foi necessário recorrer a ele", explica fonte da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, que não aponta data para fechar.

Regulador exige registo

Pelo país, foram muitas as estruturas criadas para acolher infetados e a 30 de abril, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) emitiu um alerta que diz que os hospitais de campanha estão obrigados a uma taxa de registo, entre os 1000 e os 50 mil euros. Há câmaras a receber notificações. O autarca da Batalha vai contestar juridicamente o valor de 30 mil euros cobrado.

A ministra da Saúde, Marta Temido, diz que o Governo vai analisar a questão e salvaguarda que as estruturas destinadas a acolher infetados, sem prestação de cuidados de saúde, "poderão não estar em causa para pagamento". Aliás, o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, afirmou que os hospitais das Forças Armadas estão excluídos por não prestarem cuidados médicos.

500 camas no hospital de campanha de Lisboa. Em março, o autarca Fernando Medina admitiu a possibilidade de alargar capacidade.

100 mil euros de investimento da Câmara no hospital de campanha de Ovar até agora, incluindo equipamento e pessoal.

20% dos internados nos hospitais do Porto transferidos para o hospital de campanha da cidade foi o objetivo anunciado.

150 voluntários no hospital de campanha do Porto, orientados por três coordenadores: de médico, de enfermagem e de auxiliares.

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