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Hospitais devem dar prioridade à cirurgia de ambulatório

Hospitais devem dar prioridade à cirurgia de ambulatório

Começa na segunda-feira uma nova etapa no trabalho dos hospitais, depois das medidas restritivas tomadas no âmbito da pandemia por covid-19 terem levado ao adiamento da maior parte das consultas e cirurgias.

A prioridade deverá ser dada às cirurgias em ambulatório, conforme revelado pela ministra da Saúde, Marta Temido, por darem resposta a "situações menos complexas".

Já as operações que impliquem necessidade de recurso a unidades de cuidados intensivos, "têm de ser programadas com cautela pois são situações que competem com eventual recrudescimento" da covid-19, acrescentou a governante em entrevista ao podcast do PS "Política com Palavra", divulgada na quinta-feira.

Adaptação dos espaços

No Hospital de S. João, as cirurgias irão ser retomadas, com o enfoque na "dinamização da cirurgia de ambulatório", explicou ao JN fonte hospitalar. Mas a atividade programada será alargada "em várias dimensões".

Uma será a das consultas externas, mantendo "atenção especial às consultas não presenciais que devem continuar a ser um instrumento importante no acompanhamento dos doentes". A reabertura do hospital de dia e a realização de exames são outras duas.

Já no Hospital de Santo António, na mesma cidade, foram adaptados os espaços físicos dedicados à consulta externa com o objetivo de "ser assegurado um correto distanciamento social".

Fernando Castro Poças, diretor da consulta externa, citado pela agência Lusa, adiantou que as admissões de doentes em simultâneo serão reduzidas, estando a ser ponderada a realização de consultas ao sábado.

Em comunicado, o Centro Hospitalar de Lisboa (que agrega os hospitais de Santa Maria e Pulido Valente) revelou que pretende "aumentar em 50%" o número de consultas presenciais. Em abril, foram 13 mil num total superior a 35 mil (a maioria foi à distância).

Os utentes que se deslocarem aos hospitais serão submetidos a um inquérito sobre a sua saúde e ser-lhes-á medida a temperatura corporal. Em caso de suspeita de covid-19, serão encaminhados para uma área onde serão avaliados.

A ministra da Saúde, Marta Temido, fez saber que contava com os privados e setor social, que também estão a retomar a sua atividade, para recuperar o atraso nas consultas e cirurgias. "Não creio que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) será capaz sozinho", disse na mesma entrevista. Questionada pelo JN sobre o regresso das consultas presenciais aos centros de saúde, a tutela respondeu que "a atividade programada irá ser retomada progressiva e gradualmente em todo o SNS".

Apanhados de surpresa

Óscar Gaspar, presidente da Associação Portuguesa da Hospitalização Privada, disse ter ficado surpreendido com as declarações de Marta Temido, por não ter existido "nenhum tipo de contacto" da tutela. No início de abril, a associação enviou uma carta à ministra a suscitar a necessidade de "um plano de emergência para a recuperação da atividade cirúrgica e de consultas".

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, afirmou compreender as declarações da ministra sobre o recurso aos privados e ao setor social e apelou a uma "concentração de esforços". "Temos de fazer um grande esforço para recuperar os doentes que não foram observados e isso é possível, mas não é fácil. Implica um plano muito rigoroso porque não podemos retornar à realidade muito de repente", frisou.

9000 cirurgias adiadas

Segundo Marta Temido, a redução da atividade programada resultou na diminuição de nove mil cirurgias (menos 5,3%) e de menos 180 mil consultas hospitalares (menos 5,7%). As urgências tiveram uma quebra de 11,5%.

300 mil consultas adiadas nos Cuidados de Saúde Primários, o que representa uma redução de 3,9%. Os serviços de emergência médica tiveram uma redução na ordem de menos 300 acionamentos por dia.

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