Cancro

Hospitais devem juntar-se para dar resposta a doentes

Hospitais devem juntar-se para dar resposta a doentes

Oncologistas preocupados com impacto da pandemia pedem liderança forte e articulação regional.

Oncologistas de todo o país estão muito preocupados com o impacto da Covid-19 nos doentes com cancro e defendem uma articulação entre hospitais para dar resposta às listas de espera crescentes e aos diagnósticos de novos casos que ficaram por fazer nas últimas semanas.

O alerta foi deixado anteontem numa conferência online promovida pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) com o tema "SNS (Serviço Nacional de Saúde) para além da Covid-19", dedicada aos cuidados oncológicos.

A ideia partiu da presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), mas todos os participantes concordaram. Para reduzir o impacto provocado pela suspensão de consultas, exames e cirurgias no âmbito da Covid-19, Ana Raimundo apontou como solução possível a mobilidade de profissionais entre hospitais de uma mesma região. "Tem de haver uma articulação muito forte e alguma humildade de uns hospitais em relação a outros", referiu a responsável, concluindo, depois, que "só uma resposta regional coordenada terá impacto nos doentes".

Uma posição corroborada por António Araújo, diretor do Serviço de Oncologia Médica do Centro Hospitalar e Universitário do Porto e presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos.

Tem sido cada um por si

"É preciso uma liderança forte e articulação para minimizar o prejuízo para os doentes oncológicos", defendeu, mostrando, contudo, pouca confiança na tutela e nas administrações regionais de saúde para implementar tal plano. "Não vimos liderança forte nem coordenação entre hospitais antes da Covid e também não vimos durante a Covid. Tem sido cada hospital por si", lamentou. Face às dificuldades económicas colocadas ao país pela pandemia e às necessidades de investimento em instalações, equipamentos e recursos humanos que o SNS já tinha antes da Covid-19, o presidente da Ordem dos Médicos/Norte antevê "um futuro sombrio".

Sobre a necessidade de articulação entre hospitais, o presidente da APAH, Alexandre Lourenço, também concorda que "nenhum hospital sozinho vai conseguir resolver os seus problemas".

Covid-19 trava rastreios ao cancro e perdas serão difíceis de recuperar

Com a suspensão de exames e consultas não urgentes, a Covid-19 travou os rastreios oncológicos e as perdas serão difíceis de recuperar. "Podem ser seis meses de rastreios perdidos. Como achatar esta curva?", pergunta Alexandre Valentim Lourenço, presidente da Ordem dos Médicos (OM)/Sul. Luís Costa, presidente do Colégio de Oncologia Médica da OM, nota que já era difícil aumentar os rastreios antes da pandemia, enquanto António Araújo espera que, pelo menos, seja retomado o ritmo nos rastreios de base populacional.