Cibersegurança

INEM troca sistema informático das ambulâncias por rádio para evitar ataque

INEM troca sistema informático das ambulâncias por rádio para evitar ataque

O INEM suspendeu o sistema informático que envia informação sobre as vítimas às ambulâncias. Os hospitais e centros de saúde de todo o país continuam sem serviço de email e houve interrupções na prescrição de medicamentos.

As medidas tomadas visam proteger os servidores contra o ciberataque que está a afetar, desde a semana passada, empresas e entidades de todo o Mundo.

Durante a tarde desta segunda-feira, a Prescrição Eletrónica de Medicamentos (PEM) esteve temporariamente indisponível, provocando constrangimentos nos serviços de saúde e aos utentes. O sistema esteve em baixo para instalação de software de proteção contra o ciberataque, esclareceu ao JN fonte dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), a entidade que faz a gestão dos sistemas informáticos da Saúde. A situação já estará regularizada.

Também o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) desligou a ferramenta informática ICARE, que serve para enviar informação das centrais de atendimento para as ambulâncias.

A informação sobre os doentes está a ser enviada por telefone e rádio e, até agora, a resposta estará a decorrer sem constrangimentos.
Ao JN, o INEM confirmou a suspensão daquela ferramenta informática. "É uma medida preventiva que em nada compromete a operacionalidade dos meios de emergência, designadamente os registos clínicos, que continuam a ser realizados normalmente, em verbete próprio", tal como antes de existir o sistema e quando, há por exemplo, dificuldades de acesso à rede de internet, referiu o gabinete de Marketing e Comunicação do INEM.

Nos hospitais e centros de saúde os emails estão desligados e não há previsão de quando serão retomadas as comunicações.

Os SPMS desligaram os emails de todas as entidades da Saúde, na passada sexta-feira, dia de tolerância de ponto, para evitar que os serviços fossem atingidos pelo software malicioso "WannaCry" e decidiram manter a medida de prevenção esta manhã de segunda-feira.

"Estamos a fazer um controlo ao minuto para que não haja malware nos emails da Saúde", explicou ao JN fonte do gabinete de comunicação da SPMS, garantindo que, até agora, não foi registado qualquer ataque.

A avaliação do risco está a ser feita em "articulação permanente" com o Centro Nacional de Cibersegurança e a nível internacional com a Agência da União Europeia para a Segurança das Redes (ENISA), acrescentou.

Os emails só serão libertados depois de avaliadas todas as condições de segurança.

Além dos hospitais e centros de saúde, outras entidades como a Administração Central dos Sistemas de Saúde e o Infarmed também estão sem correio eletrónico. O Ministério da Saúde tem o sistema a funcionar normalmente.

A Europol avisou ontem que o ciberataque do final da semana passada deveria voltar a sentir-se hoje. Na sexta- feira, o software malicioso que circula por email provocou 200 mil vítimas, a maioria empresas, em pelo menos 150 países.

Em Inglaterra, houve vários hospitais atacados. A natureza sensível da informação clínica coloca preocupações acrescidas na área da saúde.

A SPMS publicou ontem à noite um comunicado em http://spms.min-saude.pt/, dando conta das medidas a adotar pelos profissionais de Saúde.

"Como é do conhecimento geral, está a decorrer um ciberataque sem precedentes na história. A apreciação dos factos disponíveis leva à necessidade de medidas cautelares adicionais", refere a nota.

A SPMS pede a ajuda de todos os profissionais do Serviço Nacional de Saúde e a "compreensão dos utentes para qualquer pequena perturbação decorrente destas medidas de segurança, que será sempre menor" do que se não forem tomadas.