Covid-19

Hospitais privados criticam "discriminação muito forte" dos seus profissionais na vacinação

Hospitais privados criticam "discriminação muito forte" dos seus profissionais na vacinação

O presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) considerou que há uma "discriminação muito forte" dos seus profissionais de saúde no que toca à vacinação e disse que os recursos particulares foram "desmobilizados" na primeira fase da pandemia.

Óscar Gaspar esteve reunido esta quarta-feira com o presidente do CDS-PP na sede daquele partido, em Lisboa, e no final do encontro disse aos jornalistas que "há aqui uma discriminação muito forte em relação aos profissionais dos hospitais privados".

Considerando que "a vacinação contra a covid é absolutamente essencial", o líder da APHP salientou que "os médicos e os enfermeiros não são médicos do privado, são médicos que trabalham para os cidadãos portugueses".

Por isso, defendeu que "não há nenhuma razão pela qual esses médicos não estão a ser vacinados, ao contrário dos seus colegas do SNS [Serviço Nacional de Saúde]" e alertou que "90% dos profissionais de saúde dos hospitais privados ainda não foram vacinados".

Aos jornalistas, o presidente da APHP também da falou da primeira fase da pandemia e disse que os hospitais privados disponibilizaram "um total de 354 camas", mas foi-lhes dito "que não era necessário, em abril de 2020".

"Nós não desertámos, nós fomos desmobilizados, foi-nos dito que não era necessário os hospitais privados darem esse tipo de apoio", adiantou Óscar Gaspar, ressalvando que "a partir de novembro, na ARS norte e agora mais recentemente na ARS LVT [Lisboa e Vale do Tejo] tem de facto havido uma solicitação bastante mais forte".

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De acordo com o responsável, o setor particular tem "à volta de 900 camas que estão afetas ao SNS" e cerca de "170 doentes covid internados", referindo que os seus associados estão "a dar toda a colaboração que é possível, quer em termos dos doentes covid como em termos de doentes não covid", e que "a colaboração é forte".

"Ainda hoje, é público que o Hospital da Luz disponibilizou uma ala de enfermaria para receber doentes que tiveram ontem [terça-feira] de ser transferidos do Amadora-Sintra. Há vários hospitais cá de Lisboa que estão a receber doentes covid do SNS, para além de também terem doentes covid que vêm das seguradoras ou que são particulares, e no norte também estamos a tratar doentes covid", exemplificou.

Questionado sobre um cenário de requisição civil, Óscar Gaspar advogou que "não faz nenhum tipo de sentido" e "não se justifica de todo" porque "não teria nenhum tipo de efeito", uma vez que "as camas dos hospitais privados estão ocupadas".

"O Estado não ganharia uma cama sequer pelo facto de recorrer a um mecanismo mais musculado", garantiu, justificando que "as camas estão ocupadas com aquilo que são doentes que habitualmente procuram os hospitais privados".

Ainda assim, aponta que quando há solicitações, tem existido "todo o esforço de reorganização de atividade, no sentido de mais e mais" poder afetar camas ao SNS.

No que toca ao combate à pandemia, pediu a apresentação "dentro de poucas semanas" de um plano para a primavera e verão, à semelhança do que foi feito para o outono-inverno, advogando que o "planeamento, para ser eficaz, tem de ser atempado".

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