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Hospitais privados já têm 106 internados com Covid-19

Hospitais privados já têm 106 internados com Covid-19

Acordo com condições em que rede privada tratará infetados aguarda luz verde da ministra da Saúde, Marta Temido. Cinco unidades exclusivas para Covid-19 têm 330 camas.

Dos cinco hospitais privados dedicados em exclusivo a doentes Covid-19, quatro já têm internadas 106 pessoas e estão a seguir outras 200, a recuperar em casa. Ainda não existe um acordo com o Estado que regule os termos em que a rede privada tratará estes doentes, mas será o Estado a custear os tratamentos.

Os hospitais privados estão à espera do acordo desde o dia 26, quando foi declarado o estado de mitigação da pandemia. "Sabemos que a Administração Central do Sistema de Saúde já entregou protocolo à senhora ministra da Saúde", para assinatura, disse ao JN Óscar Gaspar, presidente da Associação de Hospitalização Privada. A demora, todavia, não travará um trabalho conjunto. "Sentir-me-ia mais confortável se soubesse desde a primeira hora os termos do acordo, mas a nossa disponibilidade para colaborar é incondicional", garantiu.

Os 106 doentes já internados repartem-se pelos hospitais CUF Porto, CUF Infante Santo, Boa Nova (Matosinhos), Hospital da Luz (Lisboa). O hospital de São Gonçalo (Lagos) também está em exclusivo para a Covid-19, mas não tem qualquer internado.

Dos 106 doentes internados na rede privada, nenhum foi encaminhado pelo Serviço Nacional de Saúde, que está primeiro a esgotar a capacidade da rede pública. Os cinco hospitais têm 330 camas para internamento, das quais pouco mais de 80 são de cuidados intensivos.

Além dos hospitais dedicados em exclusivo, outros têm anunciado a abertura de alas para tratar a Covid-19. O grupo Lusíadas está a preparar 231 camas e o Senhor do Bonfim (Trofa Saúde) terá uma ala dedicada.

Setor social colabora

As unidades dedicadas em exclusivo a doentes Covid-19 estarão diretamente ligados ao Ministério da Saúde. Além destas, haverá outras com alas específicas para infetados com o novo coronavírus ou que vão receber doentes com outras patologias, para libertar capacidade na rede pública. Nesses casos, disse Óscar Gaspar, o relacionamento será com as administrações regionais de Saúde.

"Temos dito que, além da Covid-19, temos disponibilidade para nos articularmos com o Serviço Nacional de Saúde" para realizar cirurgias, consultas, exames de diagnóstico ou outro tipo de assistência médica que seria feita na rede pública. "Antes, havia uma lista de espera de 50 mil pessoas para cirurgia. Agora o número deve ser muito superior", acredita Óscar Gaspar. Para estes doentes não Covid-19, a rede privada pode reservar 400 camas.

O setor social está na mesma situação. O Ministério da Saúde pediu às misericórdias que acolham doentes agora seguidos nos hospitais públicos, mas apenas pessoas com patologias que não a Covid-19. Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias, justificou porquê: "Emprestamos todos os nossos ventiladores aos hospitais públicos e não temos infeciologistas".


Reclamar pagamento

Na semana passada, os hospitais privados pediram com urgência ao Estado que pague o valor em dívida. Em causa está o Ministério da Saúde, o sistema de saúde dos funcionários públicos (ADSE) e o Instituto de Ação Social das Forças Armadas. Não há acordo sobre quanto dinheiro está em dívida. Também o setor social tem reclamado o pagamento dos serviços de saúde prestados a pedido do Estado.

Cirurgias sobem

Portugal tem aumentado o número de cirurgias, mas sobretudo graças ao Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), um programa especial de combate às listas de espera criado em junho de 2004. O ano de 2018 registou o número de cirurgias mais alto de sempre, perto de 595 mil. A subida face ao ano anterior deveu-se à intervenção dos setores privado e social.

Gastos com exames

Em 2018, o Estado gastou 926 milhões de euros só com meios complementares de diagnóstico e terapêutica no setor privado. Foi um aumento de quase cem milhões de euros a 2015, o início do primeiro governo de António Costa.

Tabela disputada

O valor que o sistema de saúde da Função Pública (ADSE) paga aos privados abriu uma dura guerra entre eles, em 2019.

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