Confinamento

Idosos com mais sintomas depressivos, mas sem perdas cognitivas na pandemia

Idosos com mais sintomas depressivos, mas sem perdas cognitivas na pandemia

O confinamento teve um "forte impacto" na saúde mental da população idosa, com aumento dos sintomas depressivos e a redução "drástica" da qualidade de vida. Mas, para já, não há perdas cognitivas.

Estes são os primeiros resultados de um estudo da Universidade de Coimbra, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), sobre o impacto do isolamento social no bem-estar físico e psicológico dos idosos.

"Nesta primeira etapa, só avaliámos o impacto na saúde mental", refere a investigadora Sandra Freitas, que lidera uma equipa do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Há dez anos que a equipa estuda o envelhecimento e faz avaliações cognitivas periódicas a esta população. "Esta população tem vindo a ser acompanhada por nós em diversos estudos, o que nos permitiu fazer uma análise comparativa entre o período pré-pandemia e o pós". Entre os 250 participantes recrutados, responderam 150 pessoas entre os 51 e os 91 anos.

"Os resultados confirmam que há um forte impacto do isolamento social quer na estabilidade emocional e bem-estar, quer em termos de variáveis psicopatológicas, nomeadamente com o aumento da sintomatologia depressiva e a diminuição da perceção de qualidade de vida, que foi drasticamente alterada". O confinamento refletiu-se ainda no aumento da ansiedade não só nos idosos, mas também nos cuidadores informais. "Foi um duplo aumento. Quer no próprio idoso, quer nas pessoas que ficaram confinadas em convívio estreito ou exclusivo com os idosos".

O estudo conseguiu também perceber, através de uma bateria de testes cognitivos, algo que gera "grandes dúvidas na comunidade científica". "Sobre se efetivamente há ou não alteração cognitiva nas pessoas afetadas pela pandemia. E ainda que haja mais queixas de declínio cognitivo e que as pessoas se sintam pior, nas provas de performance cognitiva, aquilo que apuramos é que não há perdas. Pelo menos a curto prazo".

O estudo arrancou a 1 de maio e levou três meses no terreno. Mas Sandra Freitas salvaguarda que as queixas "podem predizer declínios reais que podem surgir a mais médio prazo". Daí que a equipa queira fazer uma reavaliação no espaço de um ano para medir o real impacto, embora não haja ainda financiamento. "Temos a equipa disponível, temos os contactos e os meios", afirmou Sandra Freitas.

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Perante o aumento das queixas, a maioria dos idosos, explica a investigadora, recorreu ao médico de família para pedir apoio psicológico e aguarda acompanhamento. A próxima etapa do estudo vai avaliar o impacto da pandemia de acordo com o nível de literacia e a franja socioeconómica desta população. "Isto, porque pessoas com maiores níveis de literacia para a saúde mental poderão ter recorrido a estratégias e suportes que outras pessoas não tiveram", conclui Sandra Freitas.

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