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Manifestação

Idosos e pensionistas na rua não pedem caridade: querem "justiça"

Idosos e pensionistas na rua não pedem caridade: querem "justiça"

Idosos, reformados e pensionistas concentraram-se esta sexta-feira à tarde junto ao metro da Trindade, no Porto, para lutar pela mesma causa - repor o poder de compra. À medida que as pessoas iam chegando e que outras paravam para perceber o que estava a acontecer, ouvia-se de fundo a música de Zeca Afonso que soava "eles comem tudo e não deixam nada".

"Abaixo a inflação" era um dos gritos mais ouvidos no largo do metro da Trindade, no Porto. Dezenas de idosos e reformados juntaram-se na luta por uma maior igualdade social. Uma ação descentralizada movida pela MURPI que juntou várias pessoas em diferentes localidades do país com um objetivo principal: serem ouvidos e fazerem pressão junto do Governo.

Maria Olímpia é reformada e tem um pensão que ronda os 100 euros, diz conseguir sobreviver porque tem a ajuda da reforma do marido. O filho e os netos vivem na mesma casa e, entre todos, tentam ultrapassar as dificuldades. "Felizmente", como diz Maria, tem casa própria senão não saberia como iria suportar todos os custos. "Com o aumento dos preços, o Governo deveria pensar mais em nós", sublinha.

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Entre faixas e bandeiras, encontravam-se pedidos dirigidos ao Governo, como o direito a envelhecer com habitação condigna, a criação de novos escalões de pensões mínimas, a redução do preço do gás de botija, a redução do IVA no gás e na eletricidade, mais e melhores transportes públicos e ainda o direito à saúde para todos através do Serviço Nacional de Saúde.

Entre conversas, partilhas de experiências, e gritos de quem luta, os pensionistas tentam que alguém os oiça e reclamam o aumento do poder de compra. António Mota, reformado e fundador da CGTP, juntou-se à manifestação para dizer que "é preciso olhar mais para os reformados e pensar que foram estes que contribuíram no passado para a sociedade".

António sublinha que não quer caridade, quer apenas que exista justiça. "A meia pensão é uma coisa porreira mas, e o futuro?", questiona, numa alusão à medida extraordinária que vai ser paga pelo Governo este mês.

A Vice-Presidente da Federação do Porto da MURPI, Manuela Morais, refere que "era preferível um aumento nas reformas em percentagem do que dar meia pensão que acaba aqui". Manuela afirma que os idosos e pensionistas sentem-se cada vez mais apreensivos em relação ao futuro. Dizem que o poder político faz com que as pessoas se cansem e que não consigam usufruir da velhice porque não têm meios para o fazer.

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