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IL recusa ter menos lugares na primeira fila que PCP e promete arrastar tema

IL recusa ter menos lugares na primeira fila que PCP e promete arrastar tema

A IL denunciou um alegado "entendimento" entre PS, BE e PCP para dar três lugares na primeira fila do Parlamento aos comunistas - um a mais do que os que foram atribuídos aos liberais, apesar de o PCP só ter conseguido eleger seis deputados e a IL oito. Foi o Chega a alertar os liberais para a situação, que deverá arrastar-se para a próxima legislatura.

Segundo a súmula da Conferência de Líderes, divulgada esta quinta-feira, o líder do Chega, André Ventura, "questionou a distribuição relativa no hemiciclo, defendendo que a IL, tendo um maior número de deputados do que o PCP, não pode ter menos lugares na fila da frente".

No seguimento, o líder da IL, João Cotrim Figueiredo, afirmou "que não podia admitir que um grupo parlamentar (GP) com maior representatividade tivesse menos lugares na primeira fila do que outro com menor número de deputados". A Conferência de Líderes, que decorreu na terça-feira, visava apenas decidir os lugares da primeira sessão plenária da próxima legislatura, agendada para quarta-feira, dia 30, e não a das posteriores.

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De acordo com o mesmo documento, o líder parlamentar do BE foi o primeiro a reagir. Pedro Filipe Soares recordou que existem, ao todo, 24 cadeiras na fila da frente, "pelo que, numa lógica puramente proporcional, o GP do PS teria 12 lugares na fila da frente e o do PSD 8 lugares, restando aos demais um lugar cada". Dessa forma, "também o Chega e a IL sairiam prejudicados" com a adoção dessa distribuição.

Pedro Delgado Alves, do PS, explicou que a arrumação na fila da frente "não tinha uma lógica apenas de representatividade, mas, antes, de geometria política e prática, o que era demonstrado pelo facto de os GP do PS e do PSD terem os mesmos lugares na 1.ª fila, apesar de não terem o mesmo número de Deputados".

Contudo, o socialista lembrou que a Conferência de Líderes apenas visava definir a distribuição de lugares para a primeira sessão plenária, defendendo que os deputados têm "toda a legitimidade" para "revisitar" o assunto na próxima legislatura. O líder parlamentar do PSD, Adão Silva, também se opôs à posição da IL.

Cotrim elogia Ferro e defende "autodeterminação dos partidos"

À saída da reunião, Cotrim Figueiredo justificou a insistência do seu partido com o facto de a distribuição dos lugares de primeira fila ter "leitura política". De acordo com o liberal, os partidos de Esquerda "querem tomar-nos por tolos".

Cotrim elogiou a conduta do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, revelando que, "num exercício de grande independência", este rejeitou os "arranjinhos entre partidos de Esquerda" e decidiu adotar a proposta de distribuição de lugares elaborada pelos serviços do Parlamento.

De acordo com a súmula, ao longo da reunião foram sendo sugeridos "alguns acertos e trocas" relativamente aos lugares de todos os partidos. Ferro referiu que a nova distribuição dos assentos de primeira fila "contrariava a sua opinião, devendo, em seu entender, ser revista posteriormente na próxima legislatura".

Dessa forma, o ainda presidente da Assembleia manifestou "preferência" pela adoção da solução inicial dos serviços para a primeira sessão plenária".

Esta não foi, contudo, a única objeção da IL no que toca à arrumação dos lugares. Uma das lutas antigas do partido - já o tinha sido em 2019, quando chegou ao Parlamento - é deixar o flanco direito do hemiciclo e sentar-se ao centro, entre PS e PSD. No entanto, os sociais-democratas voltaram a opor-se. O líder do PSD, Rui Rio já disse no passado essa pretensão seria "uma brincadeira de mau gosto".

Na reunião, Cotrim "manifestou a sua oposição à proposta de distribuição de lugares, que considerou ser assente numa lógica de Esquerda/Direita, em que não se revê", refere a súmula.

O deputado "defendeu o direito à autodeterminação dos partidos políticos, recusando que possam ser outros que não a IL a decidir o que o partido é e onde se coloca ideologicamente", acrescenta-se.

Adão Silva, do PSD, disse estar "em total desacordo" com a proposta liberal, uma vez que ela colide com a "própria essência" dos sociais-democratas. Defendeu que "a matriz ideológica do PSD não pode ficar desfasada face ao PS e que a questão para o seu GP era também uma questão ideológica e de princípio", lê-se no documento.

Os restantes partidos consideraram que o assunto apenas diz respeito a IL e PSD, embora esclarecendo que só acederão à proposta de Cotrim caso haja "consenso".

Nas declarações após a reunião, Cotrim Figueiredo admitiu que será difícil proceder à referida mudança, mas garantiu que continuará a insistir nela na próxima legislatura.

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