Saúde

Implantes médicos perigosos: Infarmed descansa portugueses

Implantes médicos perigosos: Infarmed descansa portugueses

Implantes médicos como "pacemakers", implantes mamários, próteses e aparelhos contracetivos, com defeito, têm provocado mortes em todo o mundo, revelou uma investigação jornalística internacional. O Infarmed, autoridade nacional do medicamento, já veio tranquilizar os portugueses.

"Os portugueses podem estar tranquilos", garante o Infarmed, citado pelo jornal "Público", na reação a uma investigação conduzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, que expõe falhas de segurança em implantes médicos, devido a falhas na supervisão das entidades reguladoras, e que terão provocado a morte a mais de 83 mil pessoas no mundo só na última década.

Além de ter provocado milhares de vítimas mortais, o recurso a dispositivos defeituosos terá provocado problemas vários a mais de 1,7 milhões de utentes. Uma das razões, explica a investigação, assenta no facto de estes dispositivos serem aplicados aos doentes sem a realização de testes prévios em humanos. E, mesmo depois de terem sido retirados em determinados países, continuam muitas vezes à venda noutros.

Segundo a investigação, a indústria competitiva dos medicamentos entra em conflito com as autoridades e pressiona os reguladores da Saúde para acelerarem autorizações e baixarem os padrões de segurança mínimos dos dispositivos. Diz o Consórcio que os fabricantes terão pagado cerca de 1,6 mil milhões de dólares (aproximadamente 1,4 mil milhões de euros) desde 2008 para corromper e pressionar os reguladores.

A autoridade nacional de medicamento (Infarmed) garantiu àquele jornal que "está atenta, como toda a rede europeia de vigilância de dispositivos médicos, aos problemas que ocorrem noutros países", acrescentando que "em Portugal o panorama tem sido muito tranquilo".

"Os dispositivos médicos implantáveis enquadram-se na classe mais alta de perigosidade" e "é expectável, dado o número de implantes e o facto de estes serem colocados em pessoas cujo estado de saúde é grave", que "possam surgir alguns problemas". Mas, salvaguardou a mesma fonte, "na realidade portuguesa, são muito raros os problemas reportados".

O trabalho, que juntou 252 jornalistas de 36 países, foi publicada este domingo em jornais como o britânico "The Guardian" e o francês "Le Monde", e estima que, só no Reino Unido, entre 2015 e 2018, os reguladores da saúde tenham recebido mais de 60 mil denúncias relacionadas com implantes defeituosos.