OE2020

Impostos dividem deputado da Iniciativa Liberal e primeiro-ministro

Impostos dividem deputado da Iniciativa Liberal e primeiro-ministro

O deputado único da Iniciativa Liberal considerou esta quinta-feira que se o primeiro-ministro acredita que subindo impostos se gera crescimento é preciso avisar os portugueses que isso vai acontecer, mas António Costa rejeitou que vá haver mais esforço fiscal.

"Vou ser cuidadoso porque vi o enlevo com que falou deste orçamento, o melhor orçamento de sempre, o pai de todos os orçamentos, o nobel dos orçamentos. Eu não quero ferir a sua suscetibilidade nem evocar a ira parlamentar lendária do senhor primeiro-ministro, vou ser cuidadoso", ironizou João Cotrim Figueiredo na pergunta que fez ao primeiro-ministro durante o debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020).

A única convergência que o deputado liberal apontou foi o do "objetivo de redução da dívida pública", deixando, no entanto, claro que a "escolha política de como lá chegar pode ser discutida".

O PS, ao contrário da Iniciativa Liberal, não quer "que o excedente orçamental fosse devolvido aos portugueses sob a forma de mais rendimento, que o crescimento pudesse ser superior e que a redução se fizesse da dívida pública pelo rácio sob o PIB que é o que verdadeiramente interessa, que seria muito mais rápido do que o cenário que o PS escolhe", criticou Cotrim Figueiredo.

"Se acha que mais impostos produzem mais crescimento, acho bem avisarmos já os portugueses que isso vai acontecer, a começar por estes que estão aqui nas galerias, que nos próximos anos para crescer mais vamos ter mais impostos. Ou então não", disse, em tom de pergunta.

Na resposta, António Costa assumiu que tinha "uma enorme vontade de dizer: então não", garantindo que não vai haver aumento desses impostos.

"Eu, não partilhando desse pensamento mágico de que baixa de imposto significa mais crescimento, que nunca foi demonstrado em sítio algum, só lhe digo o seguinte: hoje os portugueses pagam menos mil milhões de IRS do que pagavam quando eu assumi as funções de primeiro-ministro", contrapôs o chefe do executivo.

Este ano, e caso o OE2020 seja aprovado, o primeiro-ministro garante que os portugueses "vão pagar menos 50 milhões de IRS e as empresas pagarão menos 60 milhões de euros do que pagaram o ano passado".

"E a famosa carga fiscal, mais uma vez, não tem subido pelo facto de ter havido aumento de impostos. Aquilo que se tem alterado é, efetivamente, o aumento das contribuições sociais", destacou.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG