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Sertã

Incêndios: "Este dia lembra 2003 em que ardeu tudo à volta"

Incêndios: "Este dia lembra 2003 em que ardeu tudo à volta"

Habitantes de Chão da Telha, na Sertã, em pânico com a falta de meios. "Contem tudo, contem tudo, não há bombeiros", diziam aos jornalistas.

"Este dia lembra 2003, em que ardeu tudo à volta", dizia Maria João Caldeira, em Chão da Telha, desesperada pela falta de meios. Nesta localidade da Sertã, as chamas foram um inferno e os bombeiros só apareceram às 20.25 horas.

"Contem tudo, contem tudo, não há bombeiros", pediam os habitantes aos jornalistas, antes da chegada dos meios para combater o fogo, que começou em Vila de Rei, progrediu em direção à Sertã e rodeou o lugar de Chão de Telha, onde vivem cinco famílias, num total de 10 pessoas.

As críticas à demora em atacar as chamas não se cingiram aos moradores de Chão da Telha. Também o vice-presidente da Câmara de Vila de Rei, Paulo César, denunciou a falta de recursos: "Não conseguimos chegar a todas as aldeias."

Foi acionado o Plano de Emergência Municipal. Mas, quando Paulo César avisou o comando operacional que "estava a arder dentro de uma aldeia", recebeu como resposta "não há meios, quando tiver envio-os". Para o vice-presidente da Câmara, o sucedido ontem deixou claras lacunas no sistema: "É indesmentível: se não conseguimos colocar bombeiros nas aldeias, alguma coisa está a falhar".

Pedidos sem resposta

Em Vila de Rei, uma praia fluvial foi evacuada, por decisão da Autarquia, devido à proximidade do fogo. Os caravanistas receberam instruções para deixarem o local e em boa hora o fizeram, pois o incêndio viria a alastrar àquele destino de férias. Uma estrada, a EN2, foi cortada e os residentes das aldeias de Cardiga e da Granja também estiveram em apuros, dada a perigosidade das chamas.

Em Chão da Telha, a preceder a chegada dos bombeiros, as pessoas, entre as quais Maria João Caldeira, viveram momentos de pânico. A ajuda tardou a surgir, apesar dos insistentes pedidos feitos através dos telemóveis. "Foi por uma unha negra", desabafaram, revoltados, quando, por fim, apareceram os bombeiros, mais tarde auxiliados por populares, com depósitos de água e máquinas de arrasto.