Questionário

INE lança inquérito sobre origem racial e atos de discriminação

INE lança inquérito sobre origem racial e atos de discriminação

O país onde nasceu, se já requereu nacionalidade portuguesa e o que aconteceu a esse pedido, se já se sentiu discriminado, com que periodicidade e se apresentou queixa às autoridades - são algumas das mais de 100 questões que fazem parte de um ​​​​​​​inquérito-piloto do Instituto Nacional de Estatística (INE), que arranca segunda-feira.

O questionário pode ser respondido online ou através de entrevistas presenciais ou telefónicas, entre 18 de outubro e 14 de janeiro, por residentes, há pelo menos um ano (ou que pretendam viver pelo menos um ano), na Área Metropolitana de Lisboa: Cascais e Estoril, Alvalade, Avenidas Novas, Camarate, Unhos, Apelação, Agualva e Mira Sintra, Águas Livres, Póvoa de Santo Adrião, Olival Basto e Amora. As freguesias escolhidas para a amostra têm maior incidência de residentes com trajetórias migratórias. O inquérito destina-se a pessoas entre os 18 e 74 anos.

"Portugal é uma sociedade com pessoas de diversas origens. Pretende-se melhorar a informação sobre essa diversidade na sociedade portuguesa, pelo que gostaríamos que respondesse a algumas questões sobre a forma como se identifica relativamente à sua origem, pertença, história ou percurso familiar", lê-se no questionário, antes da pergunta a "qual dos grupos considera pertencer: asiático, branco, cigano, negro, origem ou pertença mista".

Testar a metodologia

A religião que pratica, o nível de escolaridade, profissão, vínculo laboral ou tipo de alojamento são outras questões, também aplicadas relativamente aos familiares (pais, avós e cônjuges). Outro bloco de perguntas é sobre a discriminação - "acha que em Portugal há algum grupo ou grupos de pessoas que são recorrentemente discriminadas?". Classificar a frequência com que os imigrantes são discriminados ou se a pandemia agravou estas situações são exemplos de questões.

O INE não prevê a divulgação dos resultados do "inquérito-piloto às condições de vida, origens e trajetórias da população residente", mas sim testar a metodologia e conteúdos para "posteriormente" realizar um inquérito nacional.

Sendo o combate ao racismo e à discriminação étnica uma prioridade da Estratégia Nacional de Combate ao Racismo e também do Plano Europeu contra o Racismo, o questionário pretende recolher dados "com o intuito de produzir e apoiar na definição de políticas públicas", lê-se no documento do INE sobre o inquérito. A análise à diversidade étnica esteve para ser integrada no Censos 2021, mas a possibilidade acabou por ser afastada pelo INE que optou por um inquérito autónomo.

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