Polémica

INEM troca desinfeção da GNR por uns garrafões de lixívia

INEM troca desinfeção da GNR por uns garrafões de lixívia

O INEM prescindiu dos serviços de descontaminação de ambulâncias e fardas dos operacionais, que nos últimos dois meses e meio de pandemia foram assegurados pela GNR de forma gratuita e com uma técnica rápida e moderna.

Após o transporte de suspeitos de covid-19, os técnicos de emergência pré-hospitalar estão agora obrigados a ter de fazer aquela desinfeção com meios arcaicos: balde, esfregona e lixívia.

Em Lisboa, pelo segundo dia consecutivo, os operacionais do INEM mantiveram paradas as seis ambulâncias em protesto, tal como o fizeram na segunda-feira quando a coordenação regional do instituto teve de recorrer à empresa Assbi-Emergency para fazer a descontaminação de pelo menos dois veículos.

A GNR explicou ao JN que, "desde o dia 31 de maio, por solicitação do INEM, foram encerradas as linhas de descontaminação, mantendo a Guarda a disponibilidade e capacidade para proceder à sua reativação, se tal for solicitado". O processo estava a cargo da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR.

O JN noticiou ontem que o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) acusa o INEM de pôr os operacionais a substituir à mão e com lixívia um processo de descontaminação que a UEPS fazia em 15 minutos com um pulverizador. Esse foi o método usado em Vila Nova de Gaia [na foto] já ontem numa ambulância, com as águas da lavagem a correrem para a rede de saneamento público durante uma hora.

Sindicato apela à Tutela

"A situação é grave: a desinfeção incluía as fardas, para que os profissionais pudessem sair para outro serviço. Agora, não o podemos fazer e há que manter a mesma farda ao longo do dia", explicou Rui Lázaro, do STEPH.

O presidente do INEM avisou ontem os operacionais que têm de avançar com a descontaminação "em todas as mais de 100 ambulâncias", como faziam no passado. "Percebo as preocupações dos profissionais e estamos preocupados com a segurança dos doentes, que transportamos e com os nossos profissionais. Mas a limpeza é uma das suas funções e competências", frisou Luís Meira, na conferência de Imprensa sobre a evolução da pandemia.

Em Lisboa, os operacionais que se recusaram a transportar suspeitos com covid-19, num momento em que os casos estão em crescendo na região, foram chamados a uma reunião de urgência com a diretora do INEM, Fátima Rato.

"Chamou-os de maus profissionais e desinformados. É muito grave e inadmissível. Pediremos à tutela que tome uma atitude", acusou Rui Lázaro. O instituto desmentiu, ao JN, esta acusação: "Foi relembrado que o INEM tem uma estrutura hierárquica sempre disponível para ouvir os seus profissionais".

Linhas voltam a ser repostas "se necessário"

Ao JN, o INEM disse que se for "necessário reativar as linhas de descontaminação - por existir um aumento exponencial do número de transportes, que exija uma descontaminação mais célere - isso será feito". Mas frisou que há uma "diminuição progressiva e sustentada" de doentes covid-19 transportados.

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