Quarentena

Informação científica sobre isolamento mais curto "não é muito robusta", diz Mexia

Informação científica sobre isolamento mais curto "não é muito robusta", diz Mexia

A Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública considera que a informação científica que suporta a redução do período de isolamento de doentes com covid-19 "não é muito robusta", defendendo que as vantagens desta medida devem ser discutidas.

O presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP), Ricardo Mexia, disse esta quarta-feira à agência Lusa compreender as razões que levam a pôr em cima da mesa a redução do período de isolamento profilático - como fizeram os EUA, Espanha e o governo da Madeira -, mas defendeu ser "importante perceber que a evidência que suporta essa decisão não é muito robusta".

"Nós sabemos que há uma maior carga viral num momento próximo do início dos sintomas e, portanto, essa possibilidade de reduzir o período de isolamento contribui para um maior cumprimento da medida, no sentido em que é metade do tempo de isolamento anteriormente preconizado, mas do ponto de vista da evidência científica que a suporta ela não é assim tão robusta e, portanto, acho que temos que discutir as vantagens da medida", defendeu.

Para o médico de Saúde Pública e epidemiologista, a decisão é uma questão "mais operacional" do que propriamente de saúde. "Eu percebo que é uma questão mais operacional e que, fruto da enorme transmissibilidade, isto compromete muito o posicionamento da economia, porque estamos efetivamente a pôr muita gente em casa em isolamento e, portanto, reduzir esse tempo para metade, naturalmente, reduz o impacto de forma muito significativa", justificou.

Questionado sobre se, perante o aumento exponencial de casos covid-19, e a confirmar-se a menor gravidade da infeção causada pela variante ómicron, deveria deixar-se que as pessoas se imunizassem naturalmente, como sugeriu o virologista Pedro Simas, o epidemiologista afirmou que "a questão da imunidade natural talvez não seja o caminho".

PUB

"A questão que se coloca, a meu ver, é se estamos dispostos a assumir o que isso implica, que é respetivamente passarmos a lidar mais com a doença do que com a infeção. Se acharmos que o nosso sistema de saúde aguenta suportar depois o impacto dos novos casos na prestação sem comprometer quer a oferta covid, quer a oferta de cuidados de saúde para outras doenças, então essa é uma possibilidade", afirmou.

Alertou, contudo, não ser linear que perante um aumento de casos que pode ser muito elevado, a fração de casos com gravidade, que embora seja "bastante mais pequena", atendendo à cobertura vacinal, não represente um número significativo de casos que depois precisam de ser tratados pelo sistema de saúde.

"Se nós acharmos que temos essa capacidade e assumirmos que vai aumentar quer a severidade, quer a mortalidade isso é uma possibilidade", rematou.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG